Grande Florianópolis tem nível gravíssimo de transmissão da Covid-19

Pela segunda semana seguida, a região da Grande Florianópolis registrou nível 4 (gravíssimo) de transmissibilidade da Covid-19. O dado é analisado na matriz de risco potencial para a doença no Estado. Evento sentinela, monitoramento e capacidade de atenção são as outras três dimensões avaliadas.

A atualização mais recente do mapa foi divulgada pelo governo do Estado nesta quinta-feira (15). O mapa de risco apresentado no dia 2 de outubro, indicava a região da Grande Florianópolis com nível 3 (grave/laranja) para transmissibilidade.

Região da Grande Florianópolis está com nível 4 de transmissibilidade da Covid-19 – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Divulgação/ND

Dado indica aumento de contágio entre a população

O nível gravíssimo indica que há um aumento do número casos da Covid-19 entre a população residente, com variação positiva.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, a transmissibilidade combina a quantidade de casos ativos em relação à população, com a variação entre o número registrado na semana de avaliação comparada à anterior.

A superintendente da Vigilância em Saúde, Raquel Bittencourt, explica que a transmissibilidade tem dois indicadores: regressão e infectividade.

Matriz de risco. Grande Florianópolis está com nível 4 (vermelho) na transmissibilidade – Foto: SES/Divulgação/ND

O indicador da regressão é aferido pela variação do número de casos de Covid-19 por semana. É feita a análise do número de casos da semana anterior com os casos da semana atual.

Se esse número for menor que -15%, o nível é azul (moderado); se for entre -15h% e +5% é amarelo (alto); se for entre 5 e 15% é laranja (grave) e se for acima de +15% é vermelho (gravíssimo).

O indicador infectividade mede os casos ativos da doença pelo número de habitantes.

Sendo assim, até 10/100 mil é considerado nível azul; 10-25/100 mil, nível amarelo; 25-50/100 mil, nível laranja e acima de 50/100 mil, nível vermelho. A composição desses dois indicadores resulta na cor da dimensão da matriz de risco.

A região da Grande Florianópolis não foi a única com o nível gravíssimo para transmissibilidade. O Extremo Sul, a Serra e o Planalto Norte também estampam a cor vermelha no dado. De acordo com a superintendente, essas regiões requerem maior atenção.

Níveis graves e gravíssimos nas dimensões do mapa de risco são um sinal de alerta de que pode estar tendo uma progressão muito rápida de casos de Covid-19 naquela região.

O que pode ser feito

De acordo com Raquel Bittencourt, algumas medidas podem ser tomadas para frear o aumento no contágio da Covid-19 na Grande Florianópolis. Entre elas, a superintendente cita evitar as aglomerações, aumentar a fiscalização das atividades já liberadas e reforçar o distanciamento social.

Conforme Raquel, o fato da Grande Florianópolis ter ficado com uma pontuação de 2,5 nas dimensões “evento sentinela” e “monitoramento”, fez com que a região se mantivesse em estado grave (laranja) no mapeamento estadual, sem progredir para o gravíssimo (vermelho).

Contudo, ela orienta que as regiões não devem “se conformar” com a classificação em que se encontram, e sim trabalhar para melhorá-la.

“Neste momento, a fiscalização é fundamental. Restaurantes, shoppings e transportes devem ser monitorados para que cumpram as regras de segurança. Não importa a cor da matriz, a transmissão se dá de pessoa para pessoa”, alerta.

Aumento de 40% dos casos

Florianópolis registrou um aumento de 40% no número de casos ativos da Covid-19 no intervalo de uma semana. A Capital catarinense, que tinha 659 pacientes infectados na última quarta-feira (7) viu o número crescer, totalizando 957 doentes nesta sexta-feira (16).

Os dados são da Sala de Situação da GVE (Gerência de Vigilância Epidemiólogica).

Ao todo, são 141 vítimas e 15.252 infectados pela Covid-19 desde o início da pandemia. Na primeira semana de outubro foi possível verificar um aumento na taxa de novos casos da doença.

Maior taxa de crescimento

O último boletim do NECAT (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), vinculado à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), mostra que a taxa de crescimento de casos ficou em 7% em Florianópolis na primeira semana de outubro.

No mesmo período, nos principais municípios catarinenses, essa mesma taxa não foi superior a 4%.

A pesquisa do NECAT, coordenada pelo professor Lauro Mattei, usa a classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para analisar a evolução do coronavírus por Santa Catarina.

A mesorregião da Grande Florianópolis apresentou a maior elevação da taxa de crescimento de novos casos. Composta por três microrregiões, a área registrou 7% de aumento, onde Florianópolis responde por 43% dos registros oficiais da mesma.

O que dizem as prefeituras

A prefeitura de São José comunicou que está ciente do resultado da matriz de risco para a região. Disse ainda que continua trabalhando para atender os casos de Covid-19 no município e que toda a estrutura montada pelo órgão no início da pandemia continua em funcionamento para atender os casos ativos.

O Executivo destacou que vem realizando mais testes PCR, que detectam a doença. O avanço no contágio, segundo a prefeitura, seria por conta do aumento no fluxo de pessoas.

A prefeitura de Florianópolis informou que há dois fatores principais para o aumento nos casos em Florianópolis. O primeiro seria o aumento expressivo de testagem por parte da prefeitura.

“Com a instalação das centrais regionais de testagem, o município aumentou bastante os testes e, consequentemente, detectou mais contaminados diminuindo a subnotificação.”, disse por meio de nota.

Para a prefeitura, isso explicaria porque as mortes e internações não cresceram na mesma proporção dos novos casos, apesar de serem consequências os desfechos finais de duas semanas para frente.

Prefeitura de São José disse estar ciente do resultado da matriz de risco para a região – Foto: Divulgação/Prefeitura de São José/ND

O outro fator é o aumento de surtos em locais de trabalho e aglomerações familiares com pessoas que não moram na mesma residência.

“A administração municipal acompanhará a evolução de casos, internação e outros dados epidemiológicos e se preciso tomará medidas para maiores endurecimentos das medidas, acompanhando a recomendação estadual”, completou.

A orientação é para que a população respeite as medidas de distanciamento social e evite locais com grande circulação de pessoas, sem a devida segurança.

A reportagem do ND+ tentou contato com as prefeituras de Palhoça e Biguaçu, mas não obteve retorno até 11h desta sexta-feira (16).

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