Grupo é condenado à prisão por torturar e atirar em rapaz no ‘tribunal do crime’, em Cametá

Vítima de 17 anos foi agredido e crime foi filmado pelos envolvidos. Meses após a sessão de tortura, o rapaz morreu. Os réus Eduardo Marques, Revison Ferreira Barradas, Sandro Marques Batista e Tiago Gomes de Souza foram condenados a penas de reclusão que variam entre 15 e 17 anos pelas práticas de crimes de tortura, corrupção de menor, associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo. Meses após a prática dos crimes, ocorridas em julho de 2018, a vítima morreu. O crime foi cometido contra Bruno Guedes que tinha, à época, 17 anos, em Cametá, nordeste do Pará. As agressões foram filmadas pelos envolvidos. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (21).
Os quatro acusados denunciados pela Promotoria de Justiça de Cametá, conforme a denúncia, faziam parte da organização criminosa Comando Vermelho e teriam submetido a vítima a “julgamento”, inclusive filmando e divulgando a sessão de tortura, por ter assaltado a casa de um dos acusados.
Tribunal do crime
De acordo com o relato da própria vítima, confirmada por vários depoimentos juntados aos autos, inclusive de alguns dos próprios réus, Eduardo e Valmison (à época adolescente) o abordaram e o levaram até o campo de futebol do Palmeiras em uma motocicleta. Eduardo portava uma arma e o levou sob ameaça. Ao chegar no local os demais acusados já os aguardava para lhe submeter a julgamento. Bruno foi agredido, obrigado a confessar que assaltara a casa de Flávio Barata Monteiro e de outra pessoa, sendo ao final, alvejado na mão com um disparo de arma de fogo. O tiro foi disparado por Flávio, enquanto Eduardo filmava toda a ação. Após ser abandonado no local, conseguiu chegar em uma rua e pediu ajuda, sendo socorrido e levado para o hospital. Na fase de inquérito, a Polícia Civil apurou que o julgamento da vítima foi usado para o “batizado” do adolescente Valmison na organização criminosa.
Em sua decisão, o juiz Marcio Campos Barroso Rebello, titular da 1ª Vara Cível e Criminal de Cametá, afirmou que ”as participações e envolvimentos dos acusados com os delitos descritos na inicial, ficaram devidamente comprovadas durante as investigações e instrução processual, sendo que as circunstâncias do crime evidenciam o vínculo criminoso duradouro entre o bando, inclusive com emprego de arma de fogo. Diante da robusta prova amealhada aos autos, não restam dúvidas de que Bruno foi levado ao campo de futebol do Palmeira, agredido físico e mentalmente por longo período pelos acusados, obrigado a confessar o cometimento de um furto e punido com um tiro de arma de fogo em sua mão, com a finalidade de servir como exemplo perante a comunidade”.
Ao condenar os réus, o juiz negou a Eduardo e Sandro o direito de apelar da sentença em liberdade, “porquanto crimes destas espécies são de natureza grave e provocam inquietação no meio social, salientando-se que as suas segregações cautelares representam o meio mais eficaz e corresponde a uma resposta estatal mais efetiva em relação à criminalidade que assola o país, somada a possibilidade de risco de fuga”.
Em relação a Thiago e Revison, o magistrado decretou suas prisões preventivas, pois receberam penas superiores a 15 anos, “o que, decerto, servirá de estímulo a fugirem do distrito da culpa, sobretudo porque não possuem endereço e trabalho fixos no local”. As preventivas decretadas estão fundamentadas na garantia da aplicação da lei penal e da ordem pública. Os processos contra Flávio Barata Monteiro Oziel Pantoja foram desmembrados.
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