Guedes diz que já mandou ‘bastante dinheiro’ para SP, e espera que estado pague por vacina para Covid

Declaração, feita a comissão do Congresso, vem em momento de embate político entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de SP, João Doria, sobre escolha da vacina. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (29) que a União já enviou recursos para São Paulo e que, por isso, espera que o estado pague pela importação e fabricação da vacina chinesa contra a Covid-19, CoronaVac.
Guedes deu a declaração durante audiência pública por meio de videoconferência na comissão do Congresso Nacional que acompanha as medidas de enfrentamento à Covid-19.
A afirmação do ministro da Economia ocorre ainda em meio a um embate político entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), envolvendo a aplicação de recursos públicos em vacinas que ainda estão em estudo e também a escolha de qual produto deverá ser comprado para a vacinação dos brasileiros.
O governo paulista tem um acordo com o laboratório chinês que está produzindo a CoronaVac e, na semana passada, o Ministério da Saúde anunciou um acordo com Doria para a compra de 46 milhões de doses.
Bolsonaro, depois de ser cobrado por apoiadores em redes sociais, anunciou que o acordo entre o ministério e o governo de SP estava desfeito e que o governo federal não compraria “vacina da China.” O governo federal também tem um acordo envolvendo vacina contra a Covid, mas envolve a produto que está sendo desenvolvido pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, e o laboratório AstraZeneca.
Na quarta (28), Doria garantiu a compra de 100 milhões de doses de CoronaVac mesmo se não houver acordo com o governo federal. Segundo ele, há “um plano alternativo compartilhado pelos governadores” caso o Ministério da Saúde não assuma a distribuição da vacina.
“Nós já mandamos bastante dinheiro para São Paulo. Tomara que São Paulo encomende, pague a vacina e vacine a sua população”, disse Guedes nesta quinta. “Pede dinheiro para fazer vacina, agora pede dinheiro para eu pagar, para mandar para São Paulo de novo. Já mandamos dinheiro de saúde para São Paulo, ele já tomou as providências dele”, completou.
Procurado, o governador de São Paulo disse que não comentaria as declarações do ministro da Economia.
Guedes afirmou ainda que está havendo uma “politização” do tema. Quanto à obrigatoriedade da vacina, o ministro defendeu que cada um escolha se submeter ou não à imunização.
“Eu acredito que a vacina é uma decisão voluntária de cada um. Se o sujeito preferir ficar trancado em casa seis anos, não trabalhar e não tomar vacina nenhuma, não ter contado nem com a mulher, nem com o filho, com ninguém, se ele resolver ficar trancado e não tomar a vacina, é problema delem disse o ministro.
“Ele é livre para fazer. Se ele quiser sair e tomar três vacinas, ele toma. Ele tem que conversar com o médico dele”, concluiu.
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