Homem denuncia racismo ao ser acusado de roubo em loja da Baixada Fluminense


Encarregado de supermercado afirma que foi acusado de roubo por seguranças depois de comprar uma mochila. Loja afirma que seguranças são do Calçadão de Caxias. Polícia Civil afirma que caso está sendo investigado. Homem denuncia racismo ao ser acusado de roubo em loja da Baixada Fluminense
Um encarregado de supermercado afirma que foi acusado de roubo por seguranças depois de comprar uma mochila em uma loja em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O caso aconteceu na última quarta-feira (18). O encarregado de supermercado Fernando Silva dos Santos questionou se estava sendo acusado por ser negro.
“Eu tinha comprado a mochila aqui dentro e ele me dizendo que eu tinha roubado um par de tênis aqui dentro”, contou Fernando Silva dos Santos.
Ele conta que tinha acabado de receber o salário e pagou R$ 120 pela mochila nova. E disse que perguntou para uma funcionária se poderia já sair da loja usando-a e que ela autorizou.
“Depois que comprei a mochila, perguntei para a funcionária se eu podia colocar meus pertences na mochila nova e ela disse que sim. Coloquei tudo ali dentro mas, quando cheguei aqui fora, fui acusado de roubo”, contou Fernando.
Nas redes sociais, a loja Di Santinni divulgou um posicionamento. Disse que repudia qualquer ato de racismo, injúria ou ofensa moral dentro e fora do estabelecimento e que os homens que abordaram Fernando eram seguranças do Calçadão de Caxias, não da loja.
O estabelecimento afirmou ainda que está à disposição do cliente e pediu desculpas pelo ocorrido.
A TV Globo procurou a administração do Calçadão de Caxias, mas não conseguiu contato.
Fernando conta que foi acusado injustamente de roubo no Calçadão de Duque de Caxias
Reprodução/ TV Globo
Fernando contou que, depois de ser cercado pelos seguranças e acusado de ter roubado um par de calçados na loja, ele mostrou a nota fiscal da mochila que tinha acabado de comprar mas, mesmo assim, os seguranças a abriram e jogaram no chão seus pertences.
“Quando eles abriram, que não viram nada, que não tinham nada, só o par de tênis e as minhas roupas, eles ficaram desesperados porque eles viram que eu não tinha roubado nada lá dentro. E eu falei: ‘É porque eu sou preto?’”, disse Fernando.
A cabeleireira Andréia Lima passava pelo calçadão e testemunhou o que aconteceu.
“Eu gritei por ele porque eu quero justiça. Nosso país tem que ter justiça. Somos trabalhadores. Estou cansada de ver negros massacrados”, disse Andréia.
O boletim foi registrado na delegacia como constrangimento ilegal. A Polícia Civil informou que as investigações vão continuar para apurar e esclarecer todas as circunstâncias do fato.
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