Homem vê marido sumir no mar após lutar contra a correnteza: ‘Lutou muito’


Allyson Cardoso Santos estava com o marido na Prainha Branca, em Guarujá, no litoral paulista, e afirma que não havia sinalização indicando perigo. Allyson na praia em Guarujá, SP, durante o feriado
Arquivo Pessoal
O auxiliar administrativo Allyson Cardoso Santos, de 25 anos, está desaparecido desde o feriado de Nossa Senhora Aparecida, na última segunda-feira (12), quando viajou com o marido para a praia em Guarujá, no litoral paulista. Ao G1, o esposo de Allyson, Renato Balbino Miranda dos Santos, relatou que não havia sinalização e que viu o momento que o marido despareceu. “Eu o vi lutando muito, se afogando, se debatendo e sendo levado para o fundo. Eu vi tudo”, desabafou nesta quinta-feira (15).
Segundo Renato, era a primeira vez que ele e Mario iam para Prainha Branca, local em que ficaram na cidade. Moradores de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, eles planejavam uma viagem com toda a família. Como a agenda não coincidiu, os parentes cancelaram, e ele e o esposo decidiram viajar um dia antes, chegando no litoral no domingo (11).
Mortes por afogamento chegam a sete nas praias de SP durante feriado
Allyson e o esposo foram para a praia na manhã de segunda, e Renato explica que o mar estava calmo. Apesar disso, às 10h a correnteza ficou mais forte. “A gente não ia para o fundo porque não sabemos nadar, só ficávamos onde sabíamos que íamos estar bem. Estávamos a 10, 15 passos da areia quando aconteceu”, relembra. Ele ressalta que não havia sinalização de perigo na orla.
Renato disse que estava pulando as ondas de costas e, quando se virou para olhar o marido, ele estava sendo levado pela correnteza. “Quando virei vi que ele estava caído e tentando subir, mas vieram duas ondas fortes e altas que puxaram ele para o mar. Eu me joguei na água, tentei de todo jeito chegar nele, mas a água o levava. Quando veio outra onda e eu vi que não conseguiria chegar nele”, explica.
Allyson e Renato viajaram para o litoral paulista no último feriado
Arquivo Pessoal
O marido saiu correndo para a faixa de areia para buscar ajuda, mas diz que ninguém entrou no mar por conta das fortes ondas. O guarda-vidas chegou ao local ao ser acionado, já que, além de Allyson, um outro casal se afogava na mesma praia. “Ele estava correndo na nossa direção, mas quando chegou na água ainda não dava para ver o Allyson”, explica Renato. Ele conta que o casal foi resgatado, mas que não conseguiram encontrar o marido.
Um helicóptero foi acionado e chegou até o local, mas após uma hora precisou sair para atender outra ocorrência que acontecia próximo à área, de um homem que caiu de uma altura de 2 metros nas pedras de uma praia da cidade. Após três dias de buscas, Renato continua a mobilização nas redes sociais e buscando retorno dos órgãos que fazem as buscas. “Quero meu baixinho de volta seja vivo ou morto, mas quero ele de volta”, escreveu em uma publicação.
Além de Allyson, há outra vítima que permanece desaparecida após sumir no mar da cidade de Bertioga, segundo informações do Grupamento de Bombeiros Marítimos. A família do rapaz chegou a ir para o litoral para auxiliar nas buscas e fazem viagens entre Guarulhos e Guarujá.
“Está todo mundo destruído. A gente só quer encontrar ele para conseguir se despedir, fazer um enterro digno. Parece que ele vai entrar por aquela porta a qualquer momento. É desesperador”, lamenta Renato.
Falta de sinalização
Renato ressalta que não havia sinalização de perigo em nenhum ponto da Prainha Branca. Segundo ele relatou, as placas e sinalização foram colocadas em toda a orla apenas depois que o marido desapareceu no mar. O G1 questionou o Corpo de Bombeiros que, em nota, informou que o movimento de banhistas neste feriado de Nossa Senhora de Aparecida foi extremamente intenso e fora da normalidade.
Eles explicam que foram designados mais de 300 profissionais, 22 embarcações, três aeronaves e viaturas de resgate para a proteção e prevenção contra afogamentos nas principais praias do litoral, sendo estas as mais urbanizadas e de maior frequência. Ocorreram mais de 130 acidentes de afogamentos no litoral de São Paulo, onde o Corpo de Bombeiros resgatou com vida mais de 90% das pessoas que se afogaram.
A corporação procura proteger as pessoas nas praias mais urbanizadas, de fácil acesso e de maior frequência de público, visto que são mais de 427 quilômetros de extensão com mais de 292 praias. Eles lamentam o ocorrido e informam que que a Praia Branca é um local muito afastado da via urbana, possui placas de sinalização de perigo instaladas aos finais de semana prolongados e que várias embarcações estão em busca da vítima desde o final semana, embora não seja possível visualizar as equipes no local dos fatos visto que estão percorrendo as áreas de probabilidade geradas pelas das correntezas.
Família procura por rapaz que sumiu no mar há três dias
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