Invasão no Estádio Orlando Scarpelli completa 40 dias sem respostas

Já são 40 dias sem respostas. No dia 5 de setembro, quase 40 pessoas invadiram o estádio Orlando Scarpelli, mascarados e – alguns – em posse de armas de fogo, além de morteiros. Na ocasião, o Figueirense, já sob o comando do técnico Elano Blumer, nem começara o primeiro treino mirando o confronto frente ao Cuiabá, agendado para três dias depois.

Polícia Civil segue investigando o episódio que completou 40 dias e segue sem solução – Foto: Divulgação/ND

Menos de um dia depois do Figueirense perder para o Paraná Clube, dentro do estádio Orlando Scarpelli, criminosos arrombaram um portão e foram “tirar satisfação” de atletas e funcionários alvinegros.

A sessão, que sequer começou, foi substituída por pânico e terror. As imagens rodaram o país e repercutiram mundialmente.

A semana seguinte, inclusive, foi marcada por manifestações dos clubes brasileiros em todas as divisões. Profissionais do meio, em algumas entrevistas, fizeram questão de ressaltar e prestar “solidariedade” as vítimas do episódio que, quase um mês e meio depois, segue sem respostas.

Na última terça-feira (13), em entrevista coletiva concedida na sala de imprensa do estádio Orlando Scarpelli, o presidente do Figueirense, Norton Boppré, foi questionado sobre o tema. Ele reconheceu a gravidade do episódio, que classificou como “lamentável”.

“Cabe a todos nós, nesse momento, aguardar com muita expectativa e muita aflição haja vista todas as providências que tomamos desde o primeiro momento”, projetou o presidente que, em mais de uma vez, lembrou que o clube “não tem ingerência” sobre o caso.

Demora na resolução gera desconforto

A reportagem do nd+ apurou que, cerca de dez pessoas de dentro do clube já prestaram depoimentos. Algumas delas, inclusive, foram ouvidas mais de uma vez.


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Como o inquérito segue sob sigilo, a orientação repassada pela Polícia Civil às testemunhas é para que não haja nenhum tipo de manifestação, seja em perfis pessoais ou até mesmo em contato com a imprensa.

Uma fonte que pediu para não ser identificada, contudo, mencionou seu descontentamento com a “demora” para que haja uma resposta à sociedade e as vítimas. “Passa uma mensagem de que, se os baderneiros quiserem voltar lá, podem voltar”, admitiu.

Investigações prosseguem

Como o delegado que preside a investigação, Paulo Hakim, entrou em férias, o caso está sob os cuidados do delegado André Marafiga.

Apesar do inquérito ter sido aberto pelo colega, Marafiga admitiu que fica na condução e administração do caso nesse momento e assegurou que “as investigações estão em andamento”. Contudo, ele também disse que não pode repassar mais informações que serão divulgadas “em um momento oportuno”.

“É impossível eu comentar algo agora tendo em vista que isso pode atrapalhar muito na continuidade das investigações. Uma investigação criminal demanda tempo e uma série de diligências que, muitas vezes, não são tão rápidas quanto se imagina. Mas vai ser dado um retorno para a sociedade com certeza”, assegurou Marafiga.

MPSC acompanha o caso

Como manifestado, na época, o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) reconheceu e prometeu o acompanhamento do caso. O órgão, por meio do Centro de Apoio Operacional ao Consumidor, coordenado pelo promotor Eduardo Paladino, garantiu que daria os devidos encaminhamentos assim que o inquérito fosse remetido.

Em contato com o promotor, no entanto, nada foi repassado sob o mesmo argumento de “não interferir nas investigações”.

Conforme apurado pela reportagem, alguns pedidos de prisão e buscas e apreensão foram encaminhados ao poder Judiciário e, embora a Polícia Civil negue, estão sob análise.

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