Jornalista Chico Ornellas reúne histórias de Mogi das Cruzes em livro


Publicação será lançada neste sábado. Leitor vai conhecer 72 textos que contam memórias da cidade e seus personagens. Jornalista lança livro de crônicas contando história de Mogi das Cruzes
O jornalista Francisco Ornellas lança neste sábado (17) o livro “Urupema – Um Passeio Histórico por Mogi das Cruzes”. O trabalho é uma coletânea de crônicas que foram publicadas durante 30 anos no jornal O Diário.
Em seus textos, Ornellas destaca particularidades da cidade. Para o jornalista, ser mogiano é saber onde fica o beco do sapo, é torcer para o União e até ter medo de encontrar a noiva da estrada em uma das curvas da Mogi- Guararema.
O livro conta um pouco de uma Mogi das Cruzes que nem todo mundo conhece hoje em dia. Como a história do médico que dá nome a uma das principais ruas da cidade, a Doutor Deodato Wertheimer. Ele nasceu em São Paulo, chegou a morar um tempo no Rio de Janeiro e, em 1913, se mudou para Mogi das Cruzes.
“Foi uma figura sempre muito importante desde a sua chegada a Mogi na década de 10, até seu casamento com a filha de um dos coronéis, que era o coronel Sousa Franco, Leonor. E a partir daí se envolve bastante com a cidade”, conta o historiador Glauco Ricciele.
Médico por formação, teve um papel muito importante no combate à gripe espanhola em Mogi, mas também foi um político famoso.
“E com o sogro coronel, ele acabou tendo essa supremacia da política mogiana e passou a ser prefeito após o surto de gripe espanhola que ele conseguiu erradicar na cidade. Depois foi deputado estadual e, quando estava para se tornar deputado federal, é que estoura a Revolução de 30, quando Vargas dá o golpe de estado em cima de Washington Luís. Ele, como era do Partido Republicano que fazia oposição a Vargas e não aceitava esse golpe de Estado, passa a ser perseguido. Essa perseguição em Mogi se torna muito violenta. A casa dele vai ser incendiada, ele passa a sofrer represálias nas ruas, o consultório dele vai ser alvo de ataques e dessa maneira ele precisa se ausentar da cidade”, afirma o historiador.
Wertheimer fugiu para um sítio de amigos no Distrito de Sabaúna. Pouco depois ele se entrega e é preso.
Nos trilhos da história
O trem foi um meio de transporte muito importante para Mogi das Cruzes. Passava pela cidade a estrada férrea Central do Brasil. Ela saía do Rio de Janeiro e tinha duas ramificações: uma ia para Minas Gerais e outra para São Paulo. E essa conexão com a capital paulista foi o que ajudou a trazer muitas pessoas para a região.
Chico Ornellas reuniu histórias de Mogi das Cruzes em livro
Reprodução/ TV Diário
Em 1917, um jovem ucraniano de 17 anos, chega ao Brasil com uma mala, com quase nada de dinheiro e, embora falasse oito idiomas, não falava português. Ele embarcou no trem no Rio de Janeiro em direção a São Paulo e tinha uma carta para entregar para uma família em Jacareí.
Como estava cansado da viagem, dormiu no trem e perdeu a estação, desembarcando em Mogi. Com muito trabalho, o jovem ucraniano Hélio Borenstein começou uma história de sucesso na cidade.
O filho daquele jovem, o empresário Henrique Borenstein, lembra o começo da história do pai em Mogi das Cruzes. “Depois de alguns anos, ele foi economizando e conseguiu montar uma loja dele na Rua Paulo Frontin, perto do mercado, alugada. E depois continuou trabalhando, vendendo, conhecia Mogi inteira.”
Hélio Borenstein foi quem construiu o Cine Urupema, inaugurado em 1947. O espaço tinha capacidade para 3,4 mil pessoas – o dobro da quantidade de cadeiras no Teatro Municipal de São Paulo. Por 16 anos foi o maior cinema do Brasil.
“E o meu pai, que era um cara que sempre estava na frente das histórias do Brasil, meu pai falou com o meu avô ‘quer fazer um coisa, eu entro de sócio com você’. Meu pai já estava bem de vida. ‘Eu entro de sócio com você e a cinematográfica Melo Freire, vamos transformá-la em Melo Freire Borestein e vamos fazer o maior cinema do Brasil’, conta Borenstein.
Esta história é só uma das 72 contadas pelo jornalista e agora escritor Francisco Ornellas no livro. “A primeira ideia do livro não tinha esse título, tinha um título qualquer aleatório. Em algum momento, precisa ter uma amarração. Precisa ter locomotiva e vagões. O que é o livro? O livro é um passeio histórico por Mogi das Cruzes. São 72 capítulos e cada um se esgota em si. Qual é o ponto de convergência da comunidade de Mogi do século passado? Foi daí a razão de ser do Urupema no título. É o Cine Urupema”, explica Chico Ornellas.
Ornellas é mogiano, trabalhou em grandes redações, como o do jornal O Estado de São Paulo, mas o primeiro passo na profissão foi em “O Diário de Mogi das Cruzes”, onde conheceu e trabalhou com Tirreno Da San Biagio, o Tote, fundador do jornal O Diário e da TV Diário.
“Eu convivi com o Tote quatro anos e cai na redação do Estado de São Paulo em 1970, época áurea. E não foi surpresa nenhuma. Todas as rotinas, todo o vocabulário, todos os métodos, a ética que eu encontrei na redação do Estado eu aprendi com o Tote na redação do Diário de Mogi. Ele tinha passagens, ele tinha dito, ele tinha afirmações que eram marcantes. Por exemplo, ‘o jornal é como um filho ao qual você dá a vida sem ser dono da sua vida’. Eu nunca esqueci essa frase é uma frase do Tote. Uma outra frase do Tote ‘o jornalista não é detentor da informação, o jornalista não é dono da informação. O jornalista coleta informação da sociedade a quem ela pertence e devolve a informação processada à mesma sociedade’. Essa é a essência do jornalismo.”
Foram cerca de 30 anos de redação no jornal O Diário dividos em dois momentos. Neste período publicou 700 páginas, 1,4 mil textos, de crônicas, que escrevia sobre acontecimentos da cidade. E ele tem material para um novo trabalho. “Eu já estou escrevendo um outro, eu já tenho bem umas 120 páginas escritas. Acho que gostei. Mas eu estou feliz, estou feliz sobretudo com a repercussão”, finaliza Ornellas.
O lançamento do livro “Urupema – um passeio histórico por Mogi das Cruzes” será neste sábado (17), entre 15h e 19h, na Praça de Eventos do shopping de Mogi das Cruzes. O endereço é a Avenida Vereador Narciso Yague Guimarães, 1.001, no Socorro.
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”