Jovem denuncia que foi espancado, roubado e alvo de racismo em pista de skate em Goiânia


Daniel Souza conta que teve dentes quebrados, vários hematomas e até desmaiou. Ele estava acompanhado de amigo, que também apanhou. Caso foi registrado na polícia. Jovem denuncia que foi vítima de racismo após ser agredido e roubado em Goiânia
Um artesão de 20 anos denuncia que ele e um amigo, que não teve a idade revelada, foram agredidos e roubados em uma pista de skate, em Goiânia. Daniel Ribeiro Souza teve as lesões mais sérias. Ele chegou a ter dentes quebrados e até desmaiou. O jovem relatou ainda que, minutos antes, foi alvo de racismo. O caso foi registrado na polícia.
Daniel conta que após andar de patins no local, que fica no Setor Novo Horizonte, havia chamado um carro por aplicativo para ir embora. Neste momento, ele alegou ter sido vítima de ofensas raciais.
“Os caras começaram a falar porque a gente estava arrumado e ficaram falando que a gente era playboy e essas coisas. Tipo, ‘olha esse preto achando que é playboy’”, conta.
O artesão disse que ignorou e não chegou nem a olhar quem havia feito as ofensas. Porém, de repente, ele disse que começou a ser espancado. Com os golpes, ele ficou desacordado e não viu quem o atacou.
“Eu escutei meu amigo gritando: ‘Daniel, cuidado’. Quando eu fui olhar para trás, a partir daí eu já não lembro mais de nada. Lembro só do meu amigo me acordando no chão. Levaram os nossos dois celulares e a bicicleta do meu amigo, que estava me acompanhando até o carro. Minha mochila estava revirada, minha roupa estava rasgada”, relata.
Quando recobrou os sentidos, ele e o amigo conseguiram uma carona até uma unidade de saúde, onde receberam atendimento médico. Daniel teve alguns dentes quebrados e hematomas no rosto, cabeça e braços. O amigo também teve lesões menos graves que a dele.
Jovem denuncia que foi espancado, roubado e alvo de racismo em pista de skate em Goiânia
Reprodução/TV Anhanguera
Registro na polícia
O fato aconteceu na última terça-feira (13) e foi registrado na delegacia no dia seguinte como roubo. Usando um aplicativo de rastreamento, ele passou aos investigadores a possível localização do celular, mas o aparelho ainda não foi encontrado.
A irmã de Daniel, Selina Ribeiro Souza, disse que um outro amigo dele, que foi embora pouco antes, disse a ela ter visto um grupo com “atitudes suspeitas”.
“Esse [amigo] que também estava com eles na pista junto com eles, mas foi embora primeiro. Ele disse que havia notado já cerca de dois a três caras que estavam olhando estranho para eles e são possíveis suspeitos”, relata.
Por causa dos ferimentos, Daniel não está conseguindo fazer seus desenhos e artesanatos, que eram apenas um passatempo mas se tornaram uma fonte de renda.
A irmã dele desabafa e acredita que o fato dele ser negro foi fundamental para as agressões.
“É totalmente revoltante porque as vezes a gente pensa: se a cor dele fosse diferente, o tratamento seria diferente?”, questiona.
A Polícia Civil informou à TV Anhanguera que o caso foi registrado como roubo conforme os fatos narrados pela vítima. A investigação será feira pelo 20º DP de Goiânia.
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