Justiça determina soltura de motorista envolvido em ação que matou mulher e feriu angolano em Gravataí


Decisão substituiu prisão preventiva por medida cautelar, possibilitando o habeas corpus. Ministério Público analisa a possibilidade de recurso. Motorista de aplicativo que fugiu da polícia e causou morte de mulher em Gravataí é solto
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul aprovou a substituição da prisão preventiva por medida cautelar do motorista de aplicativo que fugiu de uma abordagem da Brigada Militar, em maio, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os policiais atiraram contra o carro dele, matando Dorildes Laurindo e deixando o angolano Gilberto Almeida ferido, que eram passageiros do veículo.
A decisão, que determina a soltura do motorista, foi concedida em videoconferência na tarde de terça-feira (29). Por unanimidade, a Justiça aceitou o habeas corpus. O suspeito precisa manter os endereços e telefones atualizados.
O Ministério Público informou ao G1 que está analisando a possibilidade de recurso.
O caso aconteceu no dia 17 de maio. O homem dirigia um carro por aplicativo de caronas e transportava dois passageiros, Dorildes e Gilberto, quando a polícia começou a perseguição. Após resistir a abordagem policial, o homem desceu do carro e tentou fugir, mas acabou preso.
Os policiais efetuaram diversos disparos. O casal de amigos, que havia solicitado o serviço de transporte para voltar do Litoral Norte, acabou sendo atingido pelos tiros.
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Dorildes e Gilberto em Tramandaí
Arquivo pessoal
Relembre o caso
Gilberto e Dorildes saíram de Cachoeirinha, onde ela morava, e foram para Tramandaí, no Litoral Norte. Na volta, em 17 de maio, já em Gravataí, o carro de um aplicativo de carona em que estavam foi abordado pela polícia. O motorista, que era foragido, começou a acelerar.
Após fazer uma curva, o homem parou o veículo, desceu e fugiu a pé. Gilberto e Dorildes estavam saindo do carro quando foram alvejados por disparos.
O denunciado fugiu para dentro de um matagal, mas acabou preso nas proximidades da ERS-118. Foi apreendido no local um revólver calibre 38 com três munições deflagradas e duas intactas.
Dorildes teve morte cerebral após ficar cerca de duas semanas no hospital. Gilberto precisou fazer uma cirurgia no joelho após ser baleado, além de ter sido preso injustamente por 12 dias.
Dorildes Laurindo foi atingida por tiros quando estava em um carro de aplicativo dirigido por um foragido
Reprodução
Ausência de crime
Sobre os policiais militares que atiraram contra Gilberto e Dorildes, o Ministério Público entendeu que há “ausência de indícios concretos da prática de crimes dolosos contra a vida”.
Segundo o MP, o motorista de aplicativo que transportava o casal desobedeceu uma ordem de parada da polícia. Ele mandou os passageiros descerem do carro e disparou três vezes contra a Brigada Militar, o que teria feito com que os policiais revidassem.
Com o entendimento do 1º promotor de Justiça de Gravataí, Fernando de Araujo Bittencourt, de que não há evidências de crime por parte dos três brigadianos envolvidos na ação, a investigação terá continuidade no âmbito do Ministério Público Militar.
Os brigadianos foram indiciados pela polícia por crime militar.
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