Lava Jato: Empresário Mariano Marcondes e ex-funcionário da Petrobras são denunciados por corrupção


Marcondes é investigado por pagamentos de R$ 1,4 milhão a Ademir Magalhães, em troca de benefícios em contratos com a estatal, segundo a denúncia, divulgada nesta segunda-feira (28). Empresário Mariano Marcondes Ferraz foi denunciado pela força-tarefa da Lava Jato no Paraná
RPC/Reprodução
O empresário Mariano Marcondes Ferraz e o ex-funcionário da área de logística da Petrobras, Ademir de Jesus Magalhães, foram denunciados em uma ação da operação Lava Jato pelo crime de corrupção.
A denúncia foi oferecida à 13ª Vara Federal de Curitiba na quinta-feira (24) e divulgada pelo Ministério Público Federal (MPF) nesta segunda-feira (28).
De acordo com a força-tarefa da Lava Jato no Paraná, entre 2006 e 2015, época em que era representante da empresa Decal do Brasil, do grupo espanhol Decal, Marcondes pagou mais de R$ 1,4 milhão a Ademir Magalhães.
Em troca dos pagamentos, segundo os procuradores, o então funcionário da estatal favoreceu a empresa no fechamento de dois contratos e de dois aditivos com a Petrobras, em valores de mais de R$ 422,9 milhões
Os contratos e aditivos negociados no esquema, segundo a denúncia, tratavam de prestação de serviços de armazenagem e acostagem de navios em instalações do Porto de Suape, na Região Metropolitana de Recife, em Pernambuco.
O MPF denunciou Marcondes por corrupção ativa e Magalhães por corrupção passiva.
Até a publicação desta reportagem, o G1 tentava contato com as defesas dos citados.
Denúncia
Conforme denunciado pelos procuradores, Mariano Ferraz tentou firmar um contrato de longo prazo com a estatal, o que, para a Petrobras, “traria um ganho de eficiência, eliminando a necessidade de contrato de navios para a realização de tancagem de petróleo e derivados”.
No entanto, segundo a denúncia, surgiram dificuldades no avanço das negociações porque caso fosse firmado o contrato de longo prazo com a empresa de Ferraz, haveria redução na contratação de navios para armazenamento de combustível e derivados por parte da estatal.
Com isso, indiretamente, as vantagens indevidas a serem recebidas pelos “funcionários corruptos da Petrobras” diminuiriam, “em razão da diminuição de navios contratados para tal fim”, segundo os procuradores.
Ainda segundo a denúncia, Magalhães solicitou ao empresário pagamentos de propina para ele e outros então funcionários, em troca de fechar o contrato de longo prazo com a empresa.
No período investigado, de acordo com o MPF, o empresário pagou, mensalmente, montantes em propina entre R$ 20 e 50 mil, para que o então servidor da Petrobras resolvesse possíveis empecilhos na área técnica da estatal.
Os pagamentos foram registrados por meio de transferências de contas de familiares do empresário para contas do ex-funcionário da Petrobras, além de cheques e transferências diretas da empresa de Ferraz, conforme a denúncia.
Os procuradores apontam ainda que Magalhães também retirou pagamentos em espécie, no escritório do empresário e também recebeu R$ 200 mil em espécie, durante um encontro entre os dois, em um bar, no Rio de Janeiro, em 2015.
Acordo de colaboração
Mariano Marcondes Ferraz possui acordo de colaboração premiada, firmado com o MPF. Ele foi condenado a 10 anos e quatro meses de prisão, em 2018, pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Na ação, Ferraz foi acusado de pagar propina de US$ 868.450,00 para que a empresa Decal do Brasil renovasse contrato com a Petrobras. Ele foi preso em outubro de 2016 e dias depois pagou fiança de R$ 3 milhões para deixar a prisão.
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