Mãe de bebê internada há 9 meses em UTI na Bahia busca por transferência aérea para SP


A mãe da menina mora em Cubatão (SP), mas teve a criança no interior da Bahia, durante uma viagem. Criança necessita de ajuda de aparelhos para respirar. Yasmin nasceu prematura e teve complicações durante a internação
Arquivo pessoal
A pequena Yasmin Caroliny Oliveira Conceição, de apenas 9 meses, nunca deixou a UTI de um hospital no interior da Bahia. A bebê nasceu prematura e teve complicações durante o tratamento, ficando dependente de aparelhos para respirar. A mãe da menina, sonha em consegui voltar para a cidade onde mora, em Cubatão (SP), desde o nascimento da filha, mas para isso, necessita de uma UTI aérea.
Em entrevista ao G1 nesta quinta-feira (29), Mayara da Conceição Nascimento de 27 anos conta que a filha nasceu com 29 semanas de gestação, durante uma viagem para o Nordeste. Ela viajava com o pai da criança, que é caminhoneiro. Na época, eles ficavam hospedados em um hotel próximo à Barreiras, em Ibotirama (BA), que era uma parada fixa dos dois. Isso seguiu até o terceiro mês de gravidez, quando ela teve descolamento da placenta e precisou ficar na cidade.
Com seis meses de gestação, Mayara entrou em trabalho de parto e deu entrada em uma unidade de saúde do município onde estava hospedada. No local, ela foi orientada a ir até o Hospital Obras Sociais Irmã Dulce, em Barreiras, pois havia uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, onde Yasmin nasceu no dia 24 de janeiro. A bebê ficou entubada e respirava com ajuda de aparelhos, pois os pulmões estava fracos.
“Com 20 dias, os médicos tentaram tirar os tubos, e ela ficou um dia, mas o pulmão dela começou a fechar e aí eles entubaram novamente. Com um mês, eles tentaram de novo, mas ela tinha desenvolvido broncodisplasia pulmonar, doença que deixa o pulmão mais rígido para trabalhar, porque se acostumou com a ventilação mecânica”, explica a mãe.
Após ser entubada novamente, a menina teve uma parada cardíaca. Devido ao tempo que ficou sem vida, a menina teve falta oxigenação pulmonar, que causou uma lesão cerebral, conforme informa a mãe. “Com isso, ela ficou ainda mais dependente da ventilação e também usa sonda gástrica”, afirma.
Luta pela vida
Para Mayara, a filha ter sobrevivido foi um milagre. “Várias vezes achei que ela não fosse aguentra. Ela precisou de drogas radioativas para manter a pressão arterial normal, precisou diversas vezes de transfusão de sangue e, milagrosamente, ela voltava”, conta. Com a recuperação, a mãe tinha esperanças que Yasmin pudesse respirar sem a ajuda de aparelhos e as duas conseguissem voltar para a casa.
“Os meses foram passando e ela ficou em estado muito grave e depois se recuperou. Só que nada de sair do tubo, aí eles [médicos] me explicaram que ela não sairia mais do tubo. Quando completou 8 meses, eu falei: ‘agora chega’. Quanto tempo mais eu vou ficar aqui sozinha?”, questiona Mayara.
A jovem não consegue trabalhar, já que necessita acompanhar a filha na UTI o tempo todo. Para se manter na Bahia, a jovem conta com o dinheiro que o pai da menina manda todo mês, que a ajuda a pagar a pensão, onde ficam as coisas dela, e também para comprar os suprimentos para a bebê, como fraldas e lenços umedecidos.
Volta para a casa
Desde o nascimento da filha, Mayara sonha em voltar para a cidade natal, onde tem casa própria, familiares e amigos, que a ajudarão a cuidar da pequena Yasmin. A mãe conta que busca por uma UTI Aérea para conseguir trazer a bebê para perto da família. “A regulação me procurou para perguntar por que eu nunca tinha entrado em contato para falar sobre a transferência da Yasmin, só que, na verdade, eu falei com a assistente social, que me disse que não seria possível”, afirma.
Mãe da menina busca por uma transferência para Cubatão, SP, cidade natal dela
Arquivo pessoal
Em setembro, o hospital solicitou o transporte da menina pela UTI Aérea, conforme consta em relatório médico, no entanto, a vaga ainda não foi disponibilizada. Como o serviço ainda não saiu, e não há previsão, a mãe decidiu criar uma campanha online de arrecadação. Segundo Mayara, o serviço particular custa em torno de R$ 46 mil e, até a última atualização, ela havia conseguido arrecadar pouco mais de R$ 2.600 mil.
“O que mais dói nessa situação toda, é quando as pessoas me perguntam se eu estou aqui sozinha. Aí vem o questionamento: Que ser humano eu fui na vida que acabei aqui sozinha, longe da minha família, longe dos amigos e com um neném na UTI? As vezes é meio perturbador, mas a confiança em Deus é o que está me mantendo”, finaliza.
O G1 tentou contato com o Hospital Obras Sociais Irmã Dulce, mas até a última atualização dessa reportagem, não obteve retorno.
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