Mauricio de Sousa, criador da ‘Turma da Mônica’, completa 85 anos sem parar de criar histórias

O quadrinista comemora o aniversário nesta terça (27). A primeira tirinha foi publicada em 1959. Já são mais de 1,2 bilhão de revistas publicadas. Maurício de Sousa, criador da “Turma da Mônica”, completa, amanhã (27/10), 85 anos
Maurício de Sousa, o criador da Turma da Mônica, vai completar 85 anos nesta terça (27).
Não é que a gente conhece o Maurício de Sousa. A gente já se sente íntimo da família. O pai da Mônica teve outros nove filhos. “Todos foram personagens. Todos. Lógico tinha que ser todos, senão ia ser uma ciumeira danada”, brinca o desenhista.
A gente também conhece alguns amigos de longa data: o Cascão, o Cebolinha – que acabou de completar 60 anos. E é por causa dessa nossa relação tão próxima que a chegada aos 85 anos merecia uma comemoração tamanho família. Mas Maurício de Sousa vai continuar em casa, por causa da quarentena. Trabalhando, como sempre.
“Eu não sei parar. A minha atividade permite isso. Logicamente, e também felizmente, a minha condição de saúde permite”, diz Maurício.
Idade para Maurício de Sousa parece existir só no papel. Ou nem isso. Porque, desenhando, ele volta no tempo. A primeira tirinha foi publicada em 1959. Não foi fácil: quando bateu na porta do jornal pela primeira vez, ouviu que deveria fazer outra coisa.
Por um tempo, Maurício de Sousa fez mesmo. Ele conseguiu emprego no jornal, mas na redação, como repórter policial. Então, vestiu um personagem: comprou chapéu e capa para parecer um detetive das histórias de ficção e, assim, disfarçar a timidez. “Minha fase repórter foi a minha identidade secreta”, relembra.
Mas as mãos coçavam para desenhar. “Quando o fotógrafo não conseguia pegar uma foto boa de um local de acidente, de um bandidão, de um chefe de quadrilha, eu desenhava”, diz Maurício.
Foi assim que ele deixou o jornalismo e virou quadrinista. E quando a Mônica nasceu para os quadrinhos, nos anos 70, os leitores se apaixonaram de vez.
“A fama do personagem não sou eu que faço, é o público. E, desde o início, quando a Mônica invadiu a tira do Cebolinha, virou a marca de ‘Dona da Rua’ dele, tomou conta e nunca mais saiu. A Mônica ficou o personagem mais forte. Talvez pelas características, que era moça, que era ‘brabinha’, que era decidida, era valente e tudo mais. É o modelo da mulher de hoje”, avalia.
Já são mais de 1,2 bilhão de revistas publicadas. Considerado o maior formador de leitores do Brasil, Maurício de Sousa entrou para a Academia Paulista de Letras. A Turma da Mônica ganhou o mundo – e vai crescer ainda mais. Maurício está trabalhando na fase adulta dos personagens.
“Vai dar um trabalho danado. Eu vou ter que contratar jornalista, vou ter que contratar psicólogo, psiquiatra, escritor, porque eu tenho que fazer a história. A obra adequada para coroar a vida da Turma da Mônica. Então vem aí, não sei quando, alguma coisa que está nascendo aí do estúdio”, revela Maurício.
Um projeto que faz hoje os olhos de Maurício de Sousa brilharem, como os de uma criança descobrindo o mundo. “Vamos lá, pessoal!”, convida Maurício.
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