Medicamento para Covid-19 começa a ser testado em Joinville

O tratamento da Covid-19 ganhou um novo aliado em Joinville, no Norte do Estado. A partir desse mês, o Hospital Regional Hans Dieter Schimidt fará testes de um novo medicamento para tratamento da doença.

Medicamento começou a ser testado este mês em pacientes de Joinville – Foto: Alphonsus Stofelli/NDTV

O ABX646 faz parte de um estudo conduzido por um empresa de biotecnologia francesa e que será realizado no mundo todo. Ele atua de três formas no organismo de pacientes infectados com o novo coronavírus.

“Primeiro ele se liga num micro RNA e reduz a replicação viral. Depois, na fase chamada ‘tempestades de citosinas’, quando o próprio organismo, pelas enzimas que produzimos para combater o vírus, acaba nos afetando, principalmente na parte pulmonar. E por fim, na fase da doença inflamatória, em que se têm úlceras por exemplo, o medicamento reduz essa infecção”, explica o médico cardiologista Conrado Hoffmann, coordenador do estudo em Joinville.

Ao todo, 1044 pacientes, em todo o mundo, vão participar dos testes. Segundo o médico, Joinville foi escolhida devido a outros estudos que já estão em andamento ligados ao combate da Covid-19.

Como funciona?

Segundo o médico, o estudo funcionará da seguinte forma: para cada dois pacientes que receberem o ABX 464, um vai receber o placebo, substância idêntica ao medicamento verdadeiro, mas sem nenhum efeito farmacológico. Pacientes e pesquisadores não vão saber a diferença entre as misturas.

O medicamento será ingerido via oral, uma vez por dia, e poderá ser feito em casa, sem necessidade de internação.  Depois de 49 dias (28 de medicação e 21 de acompanhamento), os pesquisadores, então, farão a avaliação dos efeitos e terão os primeiros resultados.

Quem pode participar?

Qualquer paciente que tenha positivado para a doença e que não esteja internado ou internado em estado que não seja grave, pode participar do estudo.

“Ele [paciente] não pode estar entubado com ventilação mecânica ou usando alto fluxo de oxigênio, justamente porque nós queremos pegar um paciente menos grave, em uma fase precoce, para que possamos medir as três fases de combate”, explica Conrado.

Todos os pacientes deverão assinar um termo em que concordam em participar da pesquisa. A preferência é para idosos ou pessoas que tenham algum tipo de comorbidade. O estudo, porém, não é indicado para pacientes com doença renal ou hepática grave, ou que tenham algum tipo de câncer terminal.

Em um primeiro momento, os estudos estarão concentrados no Hospital Regional de Joinville, porém, há a possibilidade de que ele seja ampliado para o Centro de Triagem, onde se concentra o atendimento a pacientes ambulatoriais com o coronavírus.

Além do uso para tratamento de doenças crônicas, o medicamento também está sendo estudado em pacientes com HIV. A expectativa é de que os primeiros resultados saiam no início do próximo ano.

*Com informações de Maikon Costa, da NDTV

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