Memória EBC: assista e ouça mais de Aldir Blanc

 

“Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente…”. O verso de O bêbado e a equilibrista foi escrito há mais de 40 anos (em 1979) por um gênio da música brasileira. Ou como Doryval Caymmi definiu, um “ourives do palavreado”. A morte de Aldir Blanc, músico, compositor, cronista, jornalista e poeta, nesta segunda (4), aos 73 anos, vítima de problemas causados pela Covid-19, deixa a música e toda a arte brasileira em luto (leia reportagem da Agência Brasil). O compositor, que chegou a cursar medicina, era do Rio de Janeiro e a cidade influenciou a formação cultural dele. No vídeo documentário “Aldir Blanc – dois pra lá, dois pra cá”, produzido em 2004 por André Sampaio, exibido em reprise no ano de 2015 pela TV Brasil, há histórias de quatro décadas de militância do compositor. O filme trata, por exemplo, do papel de Aldir Blanc na luta pelos direitos autorais no Brasil.

Assista abaixo ao filme 

Quando completou 70 anos, Aldir Blanc relembrou que fez medicina e se especializou em psiquiatria. “Era antes percussionista e letrista” e de quando deixou a medicina para se dedicar ao jornalismo e à música. O Repórter Brasil destacou as diferentes parcerias com grandes nomes como Ivan Lins, Guinga e Gonzaguinha. Uma das mais famosas uniões de talentos foi com o mineiro João Bosco, como se fossem “goiabada com queijo”.

Confira reportagem

 

Nas rádios da EBC, Aldir Blanc também sempre foi presença constante em vista do talento artístico singular com produção eclética. O Baú Musical, por exemplo, também homenageou o artista no último aniversário dele, em setembro do ano passado.

Ouça aqui o programa

Entre tantas obras de repercussão, O bêbado e a equilibrista marcou uma época e passou a ser conhecida até como “hino da anistia”. A história dessa letra foi destacada em publicação do Portal EBC em agosto de 2014. A reportagem relata o impacto que a letra teve para Elis Regina, a voz que mais marcou a canção,e também para o cartunista Helfil. Confira esses bastidores na reportagem.

Abaixo, assista ao programa Samba na Gamboa com Maria Rita, em que a cantora, filha de Elis Regina, interpreta a canção histórica

Após saber da morte do antigo parceiro, João Bosco afirmou, em nota, que vivia nesta segunda um dos dias mais tristes da vida (ouça mais na Radioagência Nacional). “Uma pessoa só morre quando morre a testemunha. E eu estou aqui para fazer o espírito do Aldir viver. Eu e todos os brasileiros e brasileiras tocados por seu gênio”. O gênio já havia dado uma “resposta ao tempo”, outra canção consagrada (de 1998). “E o tempo se rói/ Com inveja de mim/ Me vigia querendo aprender/ Como eu morro de amor pra tentar reviver”. Ele reviverá. 

 

Aldir Blanc

Aldir Blanc morreu após ser contaminado por coronavírus. Foto: Instituto de Radiodifusão da Bahia / Divulgação

 

Fonte: EBC