Menos de 24h após indiciamento por importunação e assédio, polícia ouve mais duas denúncias contra médico


Ginecologista de MS foi indiciado por três crimes de assédio e um de importunação sexual. Ele ficou calado no depoimento e disse que somente falará em juízo. Delegacia que apurou denúncias contra médico em MS
Alysson Maruyama/TV Morena
A polícia recebeu mais duas denúncias de possíveis vítimas do médico ginecologista, de 67 anos, indiciado pelos crimes de assédio e importunação sexual. Elas estiveram na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e prestaram depoimento.
O fato ocorreu menos de 24 horas após a delegada Maira Pacheco Machado, responsável pelas investigações, divulgar a conclusão do inquérito policial contra o suspeito e ressaltar a importância da denúncia, caso existissem mais vítimas.
Na última segunda-feira (28), durante coletiva para a imprensa, a polícia ressaltou que o indiciou por três crimes de assédio e um de importunação sexual. No decorrer das buscas, a polícia fez intimações a pacientes e colegas médicos do profissional. Elas deram detalhes de como ocorriam os assédios. Já o médico ficou calado durante o interrogatório e somente disse que falaria em juízo. Das vítimas, apenas uma tinha medida protetiva contra ele, ainda conforme a polícia.
“Tivemos a primeira denúncia contra ele em dezembro de 2019, seguida de outra em janeiro de 2020. No dia 8 de agosto, tivemos uma nova paciente, junto de uma colega médica dele. Nós também tivemos acesso a documentação dos hospitais e do CRM-MS [Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul], que desde 2013 recebeu informações sobre comportamentos e atitudes dele dentro da área hospitalar e médica”, afirmou na ocasião a delegada.
Conforme a delegada, a investigação aponta que houve “indícios de autoria” do médico, tanto em hospitais como no consultório particular em que ele atendia. “Ele atuava como supervisor com médicos residentes e então escolheu algumas delas para o assédio, dando as mãos enquanto ia até a paciente e, em alguns casos, a direcionando para a região da virilha. Também temos relatos de técnicas de enfermagem contra esse médico”, disse.
Recentemente, a investigação da Deam tomou conhecimento de uma nova paciente que teria sofrido abuso. No entanto, esta pessoa não foi na delegacia registrar queixa. “O que soubemos é que ela estava em uma consulta e o médico teria feito o exame ginecológico de uma forma não comum. Ela então saiu de lá bem abalada e entrou no consultório ao lado, onde estava outra médica. O marido desta paciente inclusive a estava esperando lá fora. Nós precisamos do testemunha presencial, da palavra da vítima, principalmente, para reforçar o conjunto probatório e ele até ter uma condenação maior se for o caso”, finalizou.
A reportagem tentou contato tanto com o médico Salvador Arruda como os dois advogados de defesa, mas, sem sucesso. No momento, o profissional responde ao processo em liberdade, porém, se condenado, poderá pegar uma pena de até 5 anos de reclusão.
Em nota, o CRM-MS ressaltou que “aguarda juntada de documentos aos autos para avaliar as medidas a serem tomadas”.
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