Michael J. Fox faz mea culpa em seu quarto livro de memórias


Aos 59 anos, o ator convive com o Parkinson há quase três décadas e acha que, nas obras anteriores, abordou de forma otimista demais a doença Quando se trata de viver na incerteza, Michael J. Fox é um craque. Esse é o título da reportagem que o jornal “The New York Times” publicou no dia 13, a reboque do lançamento do quarto livro de memórias do ator: “No time like the future” (“Não há tempo como o futuro”). Há dois anos, ele submeteu-se a uma cirurgia na medula espinhal para retirar um tumor benigno e teve que reaprender a andar. Meses depois, fraturou tão severamente o braço, ao sofrer uma queda na cozinha de casa, que precisou colocar 19 pinos e uma placa. Ícone dos anos de 1980, seu nome é sinônimo da trilogia “De volta para o futuro”. O primeiro filme, de 1985, faturou US$ 380 milhões, a maior bilheteria da temporada. Há quase três décadas, convive com a Doença de Parkinson, que atinge o sistema nervoso central e compromete os movimentos.
Michael J. Fox: o ator enfrenta a Doença de Parkinson há quase 30 anos
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Ter que enfrentar uma enfermidade incapacitante precocemente o transformou em escritor, mas Fox agora faz uma espécie de mea culpa em relação aos livros anteriores. “Tive uma crise de consciência. Pensei: o que ando falando para as pessoas? Digo que tudo vai ficar ok e isso é uma m…!”, afirmou ao jornal. É uma confissão corajosa para uma celebridade, porque o padrão é que todas foquem na superação dos obstáculos, nos deixando, simples mortais, com a sensação de total incompetência para lidar com a adversidade.
Seu primeiro livro chamava-se “Lucky man” (“Homem de sorte”) e, na sua avaliação, talvez tenha sido otimista demais ao retratar como lidava com o Parkinson. Agora, por exemplo, explica o que é o desafio de viajar usando cadeira de rodas: “não passava de uma bagagem. Ninguém espera que a gente se manifeste, apenas que fique quieto”. A obra também explora a decisão de parar de trabalhar, por causa da dificuldade com a fala – o que era visível na série “The good wife” – e da progressão gradual do Parkinson. Recentemente tatuou uma tartaruga no antebraço, “como símbolo do poder da resiliência”, explicou.
Ao lado de Christopher Lloyd, seu parceiro em “De volta para o futuro”
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Aos 59 anos, diz que não tem mais tempo para jogar conversa fora. Embora sempre tenha se considerado o tipo de pessoa que faz do limão uma limonada, considera que o estoque de limonada está acabando. Mantém-se ativo na fundação que leva seu nome e que já levantou um bilhão de dólares para pesquisar a doença: “gostaríamos de ter fechado o negócio por falta do que fazer”, ironiza. Então, como achar sentido para seguir em frente? “Gratidão faz com que o otimismo possa ser sustentável”, ensina.
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