Ministro do STF proíbe contato de senador flagrado com dinheiro na cueca com Telmário Mota


Segundo MPF, Mota está entre os investigados no inquérito sobre suposto desvio de verbas da pandemia. Congressista diz defender as apurações, mas criticou decisão do ministro Roberto Barroso. Senadores Telmário Mota (à esquerda) e Chico Rodrigues (à direita) estão proibidos de manterem qualquer tipo de contato
Reprodução/Facebook/Telmário Mota
O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado com dinheiro na cueca, foi proibido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, de manter qualquer tipo de contato com o também senador Telmário Mota (PROS-RR).
Na decisão de Barroso sobre o afastamento de Chico Rodrigues por 90 dias do cargo, Telmário é citado como um dos investigados, porém, não esclarece qual seria a participação dele. O inquérito sobre o esquema corre em sigilo.
As investigações são referentes a um esquema criminoso para desvios de verbas destinadas à Saúde de Roraima. Na operação denominada Desvid-19, Rodrigues foi flagrado pela PF com mais de R$ 33 mil escondidos na cueca.
Senador com dinheiro na cueca: o que se sabe e o que falta esclarecer
Além de Telmário, o ministro proibiu Rodrigues de manter contato pessoal, telefônico, telemático ou de qualquer outra natureza com os investigados:
Francisvaldo de Melo Paixão (servidor e delator do esquema);
Gilce de Oliveira Pinto (empresária);
Jean Frank Padilha Lobato (empresário);
Roger Henrique Pimentel (empresário);
Rômulo Soares Amorim (vereador);
Valdenir Ferreira da Silva (empresário).
Procurado pelo G1, Telmário disse que ainda não teve acesso à investigação e chamou a decisão do ministro de “arbitrária”.
“Quanto a mim, estou mandando ter acesso [ao processo]. Ele [ministro] manteve em segredo de justiça o processo, o inquérito, e liberou as decisões dele tomadas. Quer dizer, ele está o ‘senhor do Brasil absoluto’”, criticou o senador.
Em nota divulgada, Chico Rodrigues afirmou que não tem envolvimento com qualquer ato ilícito. Na noite dessa quinta ele divulgou um vídeo onde afirma que “tudo será esclarecido”.
O G1 tenta contato com os demais citados na decisão de Barroso.
Emendas de parlamentares direcionadas
Consta ainda na decisão de Barroso trecho de um relatório da PF em que emendas do senador Mecias de Jesus (Republicanos) e do filho dele, o deputado federal Johnatan Pereira de Jesus (Republicanos) seriam direcionadas a empresas durante licitação.
As informações foram ditas pelo servidor delator do esquema. Ele afirmou que, em uma reunião ocorrida em abril, teria sido pressionado pelo vereador e um outro empresário, sócio de empresas do ramo hospitalar – a direcionar licitação da Secretaria Estadual de Saúde. A compra era relacionada à aquisição de kits de testes rápidos para a detecção do Covid-19.
“Tal certame estaria vinculado a emendas parlamentares do Deputado Federal Johnatan Pereira de Jesus e do Senador Antônio Mecias Pereira de Jesus, cada qual no valor de R$ 2,5 milhões. Na ocasião, Guilherme Salomão teria feito uma ligação ao Deputado Federal Johnatan Pereira de Jesus que, por sua vez, teria confirmado ao denunciante que tanto o vereador Rômulo Amorim como Guilherme Salomão atuariam em seu nome.”
Procurados, os dois citados ainda não de manifestaram sobre o assunto. A Procuradoria-Geral da República, onde o processo tramita, ainda não informou se eles também são alvos das investigações.
Esquema teria desviado mais de R$ 20 milhões
Chico Rodrigues é apontado no inquérito como membro de um esquema que desviou mais de R$ 20 milhões em emendas parlamentares que seriam destinadas ao combate da Covid-19 em Roraima. A Controladoria Geral da União (CGU) também participou da investigação.
Constam da investigação indícios de que o senador se utilizou da influência na função pública para beneficiar empresas privadas a ele ligadas, direta ou indiretamente, desviando dinheiro destinado ao combate à Covid-19.
Roraima já recebeu, em 2020, cerca de R$ 171 milhões repassados pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS). Desse valor, R$ 55 milhões são especificamente para combate à Covid-19, segundo a CGU.
Ao todo, policiais federais tinham ordem para cumprir nesta quarta sete mandados de busca e apreensão em endereços em Boa Vista. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo STF.
Veja os vídeos sobre o senador Chico Rodrigues
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