Mirando título inédito, Avaí/Kindermann desbanca favoritas e encara o Corinthians

Vice-campeãs em 2014 e perseguindo o título inédito do Campeonato Brasileiro. Eliminando jogo após jogo times tradicionais, “de camisa” e colocando por terra o discurso de “zebra”, o Avaí/Kindermann faz história no futebol e, mais uma vez, coloca Santa Catarina sob os holofotes. 

Avaí/Kindermann chega na final do Campeonato Brasileiro pela segunda vez – Foto: Leandro Boeira/AvaiFC

A batalha final pelo título começa neste domingo (22), às 20h, na Ressacada e, pela frente, mais um time duro, difícil e, para muitos, considerado o favorito: Corinthians.

“Sempre preferiram acreditar em outros times, agora, a zebra chegou”, fala a atacante Catyellen. “Mostramos nosso trabalho, chegamos na final, uma decisão muito importante na nossa carreira. Nos deixaram chegar”, complementa Duda Santos.

O caminho até a final foi pavimentado com muito trabalho e atuações que alçaram o time a ótimos resultados. Desde a primeira rodada, as Leoas não deixaram a zona de classificação por um dia sequer. A estreia já era um indício do sucesso da equipe de Caçador na competição nacional.

O 7 a 0 contra o Vitória abriu uma campanha de oito vitórias, três empates, quatro derrotas e 60% de aproveitamento na primeira fase. Foram 39 gols marcados em 15 jogos. No mata-mata, duas vitórias, um empate, uma derrota e a passagem carimbada às finais do Brasileirão.

A maior dificuldade nos mais de nove meses, conta Catyellen, foram as viagens. Times de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Amazonas e Bahia disputaram o Brasileirão e a rotina na estrada foi mais uma pedra no caminho das Leoas. “Nós sabíamos que seria difícil enfrentar times de camisa, mas nos preparamos para isso. Então, acho que nossa maior dificuldade foram as viagens. Passamos mais tempo viajando do que jogando em casa”, diz.

Catyellen disputa a artilharia do Campeonato Brasileiro e chama atenção para a força do grupo – Foto: @andriellizambonin

Duda complementa, ainda, que a pandemia, a paralisação do campeonato e a ausência da torcida foram fatores que precisaram ser superados pela equipe. “Jogar sem a nossa torcida em casa que sempre nos apoia, foi muito difícil, mas nos sobressaímos, conseguimos fazer um bom campeonato e o resultado está aí, estamos na final”, ressalta.

O fator casa é uma das principais armas do Avaí/Kindermann. Jogando sob seus domínios, as Leoas perderam apenas uma partida, na semifinal, contra o São Paulo. A primeira fase foi disputada em Caçador, no estádio Carlos Alberto Costa Neves com o seguinte saldo: seis vitórias e um empate. Na Ressacada, palco do primeiro jogo da final, o retrospecto é de uma vitória e uma derrota.

“Não somos a zebra que muitos falaram”

Considerada como uma das maiores conquistas da carreira das duas atacantes, a campanha do Avaí/Kindermann neste Brasileirão foi muito questionada enquanto a bola rolava, contam as jogadoras. Apesar da pandemia, da paralisação, da necessidade de voltar ao ritmo e das dúvidas, as Leoas provaram que, dentro de campo, a história é diferente.

“Esqueceram da gente durante o campeonato. Muitos não acreditaram e nós provamos que nosso time é capaz”, desabafa Catyellen.

Com o campeonato televisionado para todo Brasil, poucas partidas da equipe catarinense chegaram às casas do país e, apesar de comemorar a visibilidade do futebol feminino, Duda chama a atenção para a falta de confiança no único time de Santa Catarina na competição.

“Deram visibilidade e ficamos muito felizes, mas a maioria dos jogos era do eixo Rio-São Paulo. Não é algo que nos incomode muito, porque continuamos treinando, trabalhando e mostrando do que somos capazes. Agora, estamos na final e mostramos que nosso time não é a zebra como muita gente falou”, fala.

A parceria entre o Kindermann e o Avaí tem agradado a equipe de Florianópolis. O presidente Francisco Battistotti é só elogios às Leoas e salienta os resultados e o impacto que a boa campanha tem no para o Leão da Ilha.

Essa parceria é muito importante e já nos deu vaga na Copa Libertadores Feminina. Apesar de algumas críticas dentro do clube, a gestão sabe da importância dessa parceria que se mostra acertada. Quero parabenizar as meninas pela condição de levar a marca Avaí internacionalmente, isso é muito importante e quero deixar registrado que certamente essa parceria vai perdurar por mais algum tempo”, salienta

Grupo forte e destaques individuais alçam Avaí/Kindermann

Para a final, a expectativa é alta. Jogando na Ressacada, as Leoas precisam vencer o Corinthians, que fez a melhor campanha na primeira fase, com 14 vitórias e apenas uma derrota. O Alvinegro eliminou, ainda, o Grêmio e o Palmeiras para chegar na grande decisão.

Duda é uma das jogadoras que mais dá assistências para gol no campeonato – Foto: @andriellizambonin

A campanha e a “pompa” de grande time não intimidam. Apesar do respeito, Duda e Catyellen ressaltam o ótimo trabalho desenvolvido pela equipe e a máxima do futebol de que o jogo só acontece quando o apito soa.

“Nós sabemos que o time do Corinthians tem qualidade, mas aqui também tem. Temos que entrar focadas, é 11 contra 11. Ali é terra de ninguém, quem estiver com vontade, vai levar. Nosso time sabe que pode ser campeão. É só acreditar”, fala Catyellen.

Para a final, a expectativa é alta. Jogando na Ressacada, as Leoas precisam vencer o Corinthians, que fez a melhor campanha na primeira fase, com 14 vitórias e apenas uma derrota. O Alvinegro eliminou, ainda, o Grêmio e o Palmeiras para chegar na grande decisão.

Além do grupo forte e unido, o Avaí/Kindermann tem nos destaques individuais um trunfo para levantar a taça. Lelê e Catyellen brigam pela artilharia do campeonato, com 10 e 9 gols. Já Duda e Julia estão entre as que mais dão assistências para gol no Brasileirão. O reflexo do ótimo desempenho veio na última convocação para a seleção. Duda, Julia e a goleira Bárbara foram chamadas por Pia Sundhage.

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