Modelo BlackBerry KEY2, de 2018

O BlackBerry foi esquecido na última década, mas se recusa a desaparecer de vez. Dois anos depois do último celular da BlackBerry, o logo da empresa vai aparecer mais uma vez em um smartphone, com inclusive seu famoso teclado QWERTY.

Não é um “verdadeiro” celular da BlackBerry, assim por dizer, pois a empresa saiu do mercado em 2016. Mas ela continua licenciando sua marca para produtores de celulares nos últimos anos, e permitiu que a OnwardMobility — empresa americana de Austin, no Texas — a usasse.

Ainda não se sabe muito sobre a versão da OnwardMobility do celular BalckBerry, apenas que usará o sistema Android e permitirá conexões 5G. A empresa afirma que será lançado em algum momento do primeiro semestre de 2021. Além disso, uma subsidiária da empresa de tecnologia Foxconn produzirá o novo BlackBerry.

Os celulares da BlackBerry eram famosos por dois principais motivos: O teclado físico e a segurança de primeira linha. Apesar de celulares modernos — O iOS da Apple especialmente — se tornarem muito seguros na última década, a OnwardMobility está apostando que a grande quantidade de trabalhadores em regime de homeoffice trabalhando de seus celulares deram aos departamentos de T.I (Tecnologia da Informação) do mundo um ataque cardíaco coletivo.

Um celular cujo sinônimo é segurança pode ter uma alta demanda (apesar de iPhones e vários tipos de dispositivos Androids serem onipresentes nos ambientes empresariais atualmente). Um teclado físico não seria de todo mal, digitar emails mais longos em um BlackBerry é mais simples do que digitar em telas de vidro.

“As empresas estão ávidas por dispositivos 5G que sejam muito seguros e que facilitem a produtividade, sem sacrificar a experiência do usuário”, disse Peter Franklin, CEO da OnwardMobility, em nota. “Os smartphones da BlackBerry são conhecidos por proteger dados de comunicações e privacidade.”

Não se espera que novo celular seja um enorme sucesso, faz muito tempo que esse nicho foi delegado ao iPhone e aos Androids.

Mas o BlackBerry costumava ser o principal smartphone. Em 2012, seu auge, possuía mais de 80 milhões de usuários ativos e eram um símbolo de status de “pessoas ocupadas”.

A empresa começou em 1996, como ‘Research In Motion’ (Pesquisa em Movimento, em tradução livre), e chamavam seus dispositivos de “2 vias”. Seu primeiro gadget, “Pager [email protected]”, permitiu que os clientes respondessem aos ‘bipes’ com um teclado físico — uma espécie de híbrido entre o email e mensagens de texto. Três anos depois a empresa apresentou o nome ‘BlackBerry’ juntamente com o lançamento do BlackBerry 850.

Foto: Divulgação/BlackBerry

Algum tempo depois, os celulares da BlackBerry passaram a comportar e mails, aplicativos, navegadores de internet e o BBM – um sistema de mensagens que precedeu o Whatsapp e sobreviveu muito tempo além do apagamento dos dispositivos da marca.

Mas a Apple revolucionou o mercado com a chegada da tela sensível ao toque com o lançamento do iPhone em 2007, e fez com que o BlackBerry parecesse defasado. A marca também produziu modelos ‘touchscreen’, mas as primeiras versões não obtiveram muito sucesso. Também tentaram criar modelos “slip”, com a tela sem botões de onde deslizavam os tradicionais teclados físicos, mas eles nunca deslancharam.

Foto: Divulgação/BlackBerry

A BlackBerry eventualmente desistiu do seu próprio software e abraçou o Android, acrescentando seu sistema de segurança ao novo sucesso. Mas a empresa preferiu o sucesso em softwares de segurança empresarial e softwares para automóveis, e abandonou completamente a produção de telefones a alguns anos.

Para os mais nostálgicos — e pessoas que gostam de digitar em teclados de verdade — foram produzidos alguns BlackBerrys nos últimos anos pela empresa de tecnologia TCL. Com o fim do contrato, a OnwardMobility continuará o legado.

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