Morador de Suzano tenta há dois anos uma cirurgia de hérnia em diversos hospitais do Alto Tietê


Pedro Pires Machado ficou com uma hérnia depois de operar da apendicite e agora enfrenta dificuldade para dormir e abaixar devido o volume na barriga. Morador de Suzano luta para conseguir cirurgia de emergência de hérnia
Um morador de Suzano que precisa com urgência de uma cirurgia de hérnia está há dois anos de hospital em hospital tentando o procedimento. Mas a reposta que recebe é sempre a mesma: falta de estrutura das unidades para uma cirurgia complexa. Uma verdadeira luta para voltar a ter uma vida normal.
O aposentado Pedro Pires Machado conta que desenvolveu uma hérnia na região da barriga depois de operar de emergência um apendicite. A cirurgia foi feita na Santa Casa de Suzano, em 2018.
Assim que voltou para casa, a barriga do aposentado foi só aumentando de tamanho. A hérnia ali fez o intestino sair do lugar. Com isso, atividades simples viraram verdadeiros desafios para o aposentado.
“Dificulta muito, porque eu não posso abaixar. Eu fico sem respirar. Quando eu vou levantar, que eu estou sentado assim, parece que está grudado assim. Dá um mal-estar na gente. Quando eu vou dormir, preciso usar cinta. Ou então segurar, porque fica incomodando, com vontade de vomitar mesmo. Eu não posso levantar a perna, por causa da dor que dá aqui”, diz.
A ex- mulher, que ajuda o aposentado nesse momento, conta que até agora eles já passaram por médicos de quatro municípios. Em Suzano, a Santa Casa, que fez a cirurgia de apendicite, disse que não tinha condições de realizar a correção da hérnia.
Aposetado de Suzano ficou com uma hérnia no local em que operou da apendicite.
Reprodução/TV Diário
Eles então foram parar no hospital estadual Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes. A unidade é referência quando o assunto é saúde no Alto Tietê e se destaca pelo atendimento de média e alta complexidade na região, especialmente para casos de acidentados e atendimento cardíaco e tratamento de pacientes com câncer.
Só o Luzia de Pinho Melo deve receber pacientes das dez cidades da região, já que de acordo com Associação Paulista Para o Desenvolvimento da Medicina, o hospital conta com corpo clínico especializado e com técnicas e equipamentos mais modernos.
“Ele chegou com muita dor, passaram um remédio para tirar a dor dele. O médico examinou a hérnia, disse que era via posto, tinha que voltar por Suzano, para que eles fizessem alguma coisa. Na época eles disseram que não poderiam, porque enquanto não fosse um encaminhamento direto do posto para ir para o Luzia, eles não iriam operar ele, mesmo dando entrada na emergência. Eu falei ‘doutor, por favor, faz a cirurgia dele. A barriga estava grande”, conta Josefa.
Com a recusa em Mogi, Pedro foi buscar ajuda no hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba, que também é do governo do estado e apoia a saúde do Alto Tiete. Em março, um cirurgião disse que operaria o aposentado, mas aí a pandemia cancelou tudo.
“Ele falou que era só eu fazer os exames que faria a cirurgia. Veio a pandemia, faltavam três exames para eu fazer, aí ligaram para cá dizendo que não poderiam fazer”, conta o aposentado.
Em setembro, com a pandemia um pouco mais controlada, eles tentaram a cirurgia no Hospital Regional de Guarulhos. Na consulta, o cirurgião disse que não poderia operar o aposentado ali por se tratar de uma hérnia complicada. A filha do aposentado gravou a conversa.
“É um procedimento muito complexo para o porte deste hospital”, mostra a gravação apresentada pela família.
Sem saber o que fazer, neste mês, de novo, eles tentaram o hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba. Dessa vez, o parecer de um outro cirurgião desanimou ainda mais a família.
“Não tem estrutura para operar, o Geral de Guarulhos não tem estrutura para operar, a Santa Casa de Suzano não tem estrutura para operar. Todos falam que quem tem estrutura para operar é o Luzia de Pinho Melo”, conta Josefa.
Pedro segue tentando, dia a dia, superar cada obstáculo que encontra pela frente. Enquanto a cirurgia não chega, os remédios viraram, junto com a hérnia, a companhia para enfrentar os dias mais difíceis.
“É uma sensação de não valer nada para eles. Sensação de estar no mundo jogado. Eles são eles e o pobre, pobre mesmo e ricaço. Eu já perdi a ilusão de fazer tudo. A gente não tem valor nenhum nessa terra. Só trabalha”, informou.
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde disse que o hospital Santa Marcelina de Itaquaquecetuba vai entrar em contato com o paciente para agendar uma nova avaliação.
Ainda de acordo com a pasta, a cirurgia de hérnia é um procedimento que não configura quadro de urgência. Por isso, foi reprogramada e que, quando ele foi ao hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi, não estava indicada realização em caráter de urgência.
Já o Pronto-Socorro Municipal de Suzano disse que faz procedimentos de urgência e emergência, que é o caso de uma cirurgia de apendicite. mas a cirurgia de hérnia é um procedimento eletivo, o que, em sua maioria, é encaminhada ao estado, dependendo da gravidade e complexidade do caso.
Ainda de acordo com a nota, hoje, não tem como afirmar qual foi a orientação ao paciente há dois anos, sem análise do prontuário. Mas informou que vai apurar o que aconteceu e conversar com a família, já que não tem registro de reclamação na ouvidoria.
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