Moradores continuam a viver em prédio interditado por risco de desabar em Franca, SP: ‘Não temos para onde ir’


Conjunto habitacional tem rachaduras e buracos na paredes. CDHU atribui problemas à falta de manutenção. Prefeitura diz que não tem responsabilidade sobre o prédio, mas que analisa ajuda social. Moradores continuam a viver em prédio interditado em Franca, SP
Dezesseis famílias continuam a morar em um conjunto habitacional de Franca (SP) que foi interditado pela Prefeitura e pelo Corpo de Bombeiros há cerca de uma semana. Com rachaduras, buracos nas paredes e esgoto entupido, que infiltra o solo compactado, a estrutura do prédio corre o risco de desabar, segundo as autoridades.
As famílias vivem no local há cerca de 20 anos, quando o conjunto habitacional no bairro City Petrópolis foi entregue. Os moradores alegam não ter para onde ir e pedem ajuda da Prefeitura e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) para tentar solucionar o problema.
Em nota, a CDHU disse que entregou o prédio em 1997 e que os problemas surgiram por falta de manutenção.
A Prefeitura disse que não pode intervir na construção, mas que o processo foi encaminhado à Secretaria de Ação Social para análise da possibilidade de atendimento social aos moradores.
Estrutura de conjunto habitacional no City Petrópolis em Franca, SP, está comprometida
José Augusto Júnior/EPTV
Preocupação
A dona de casa Gislaine Aparecida Silva Orlando está entre os moradores que não abandonaram o prédio apesar da interdição e do medo que têm de a estrutura desabar. Ela conta que fica aflita quando chove.
“Assim que começa a fechar o tempo, o coração já fica acelerado. A gente já fica tudo na porta, para qualquer coisa sair correndo. A gente não está nem dormindo à noite, do tanto que a gente está preocupado. Estamos desesperados, porque a gente não sabe o que faz”, diz.
Dona de casa continua a viver em apartamento interditado em Franca, SP
José Augusto Júnior/EPTV
Esgoto
O sapateiro Alexsandro Caetano enfrenta uma situação parecida. Ele diz que o conserto da estrutura do prédio fica cara demais para os moradores pagarem, especialmente neste momento, já que muitos perderam o emprego por conta da pandemia de coronavírus.
“É horrível. Está muito difícil, pela questão de ratos, escorpiões, baratas. A gente tem que ficar com a porta fechada. A maioria dos moradores tem crianças, e elas ficam inalando o mal cheiro desse esgoto, então está muito difícil morar aqui”, diz.
Conjunto habitacional com rachaduras é interditado em Franca, SP
José Augusto Júnior/EPTV
Caetano conta que os problemas começaram há cerca de cinco meses e, nas últimas semanas, agravaram-se. As famílias foram orientadas a deixar o prédio em busca de abrigo na casa de familiares, mas diz que nem todos têm para onde ir.
“Não temos para onde ir e a assistente social disse que não tem como amparar, porque os recursos foram cortados e não tem como pagar aluguel para 16 famílias. Nossos familiares também têm a vida deles, então não tem como”, diz Caetano.
O sapateiro Alexsandro Caetano vive em conjunto habitacional interditado em Franca, SP
José Augusto Júnior/EPTV
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