Moradores de Peruíbe, SP, pedem mais atenção do poder público à saúde


População pede melhorias na UPA; expectativa é de que a maternidade e o hospital municipal, em obras há alguns anos, sejam entregues o quanto antes. UPA de Peruíbe realizou 98.867 atendimentos entre janeiro e agosto deste ano
Divulgação/Prefeitura de Peruíbe
Moradores de Peruíbe, no litoral de São Paulo, pedem melhorias na área da saúde pública, principalmente no que diz respeito à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), única da cidade. A expectativa é de que o hospital e a maternidade do município, desativados em 2014, fiquem prontos o quanto antes.
“Se a gente não tem saúde, não consegue trabalhar. A cidade está doente, acamada, nada anda”, desabafa a auxiliar de desenvolvimento infantil Cláudia Aparecida de Sá, de 48 anos.
Para a munícipe, a estrutura do prédio da UPA não é ruim, o problema está na falta de “funcionários competentes e humanos”.
“Espero que olhem mais para a saúde. Que terminem esse hospital, colocando todo tipo de especialista, para não precisarmos ir para outro lugar. Aqui tem tudo para dar certo, falta honestidade”, diz.
Hospital municipal
Peruíbe está sem hospital municipal desde 2014, quando a antiga unidade foi fechada pela Vigilância Sanitária do Estado devido à falta de condições básicas de atendimento. No mesmo local, funcionava a maternidade, que também foi fechada.
As obras de fundação do hospital municipal iniciaram em outubro de 2015, na gestão passada. Desde então, foram paralisadas mais de uma vez. O imóvel fica na Rua Darcy Lacerda, no Centro de Peruíbe.
Em 2019, o Governo do Estado garantiu R$ 18 milhões para a conclusão dos trabalhos. De acordo com a prefeitura, a previsão era retomar as obras no primeiro semestre deste ano, mas os planos foram alterados devido à pandemia, já que o estado ainda não liberou os recursos.
Segundo a municipalidade, a expectativa é de que os recursos sejam liberados nos próximos meses. Com a retomada da obra, a previsão é de que o hospital fique pronto um ano e meio depois, ou seja, em 2022.
Obras de fundação do Hospital Municipal iniciaram em outubro de 2015
Divulgação/Prefeitura de Peruíbe
Unidade de Pronto Atendimento
Como não há hospital na cidade, a população recorre à UPA em casos emergenciais ou, dependendo da gravidade, ao Hospital Regional Jorge Rossmann, em Itanhaém.
Na avaliação da dona de casa Claudete Pacheco Lima, de 60 anos, o atendimento na UPA costuma ser bom, dependendo do médico que atende, mas é preciso mais atenção na parte da limpeza.
“Falta limpeza nos banheiros. A falta de higiene é grande, não só nos banheiros, como também nos quartos, onde ficam os doentes”, diz.
Claudete espera que Peruíbe passe a contar o quanto antes com um hospital municipal. “É uma cidade pequena e não conseguem fazer nada. O governo manda dinheiro e nada de melhoria. Aqui, falta urgentemente um bom hospital, mesmo que seja pequeno”.
De acordo com a prefeitura, a UPA da cidade realizou 98.867 atendimentos entre janeiro e agosto deste ano. Somente em agosto, foram 10.649 – desses atendimentos, 8,6% corresponderam a pacientes de outras cidades.
‘Falta maternidade no município’
A professora indígena Mirian Dina dos Santos Oliveira, de 41 anos, da Aldeia Tabaçu Reko Ypy, também pede mais investimento na saúde pública do município.
Quando precisa ser atendida, ela passa por acompanhamento médico na própria aldeia. Em sua avaliação, o conselho local de saúde atende as comunidades indígenas de forma satisfatória; o que falta é uma maternidade no município.
“[É preciso] reativar o mais rápido possível a maternidade e investir em mais equipamentos para ampliar exames, porque, às vezes, temos que acessar em outro município”, diz.
Também fechada pela Vigilância Sanitária, a maternidade deve ser entregue nas próximas semanas, segundo a prefeitura. A entrega estava prevista para maio, mas o espaço acabou sendo adaptado para abrigar um hospital de campanha para atendimento de pacientes com covid-19. O imóvel está localizado na Avenida dos Expedicionários, no Centro.
“Com a melhora nos índices da pandemia, já foi aberta a licitação para contratação de uma organização social para administrar a unidade”, afirma, em nota, a municipalidade.
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Entrada da Maternidade de Peruíbe, que deve ser entregue nas próximas semanas, segundo a prefeitura
Divulgação/Prefeitura de Peruíbe
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