Moradores do RS relatam recebimento de semente de origem desconhecida pelos Correios; ministério investiga


Ao menos seis amostras foram coletadas no estado. Na maior parte dos casos, sementes foram recebidas junto com compras feitas online, mas uma moradora relata que recebeu pacote sem ter comprado nada. Sementes de origem desconhecida foram recebidas por moradores do RS
Divulgação/SEAPDR
Moradores de diferentes regiões do Rio Grande do Sul relataram o recebimento de sementes não solicitadas, supostamente vindas da Ásia. As sementes chegaram pelos Correios, muitas vezes acompanhadas de outros produtos encomendados em sites de compras de países asiáticos.
Até esta terça-feira (29), o Ministério da Agricultura havia recebido 36 denúncias de recebimento de sementes misteriosas.
Mãe e filha denunciam recebimento de sementes misteriosas após compra pela internet
No RS, os moradores relataram à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural entregas entre março e setembro deste ano. Pelo menos seis amostras já foram coletadas no estado.
A professora Suzana Perin, de Barracão, no Norte do RS, é uma das pessoas que relatam o caso. Ela recebeu a entrega sem ter feito qualquer pedido, e quando seu marido abriu a encomenda, foi surpreendido.
“Quando ele viu dentro tinha um pacotinho transparente de um plástico com cinco sementinhas. Nós guardamos e nem pra dentro de casa levamos”, conta Suzana.
Gaúchos recebem sementes misteriosas junto com compras on-line
Orientação de não abrir os pacotes
O engenheiro agrônomo e fiscal agropecuário da secretaria Claudir Santa Catarina reforça que o alerta é necessário.
“Como é um recebimento involuntário, não se sabe a autoria, o propósito e o que isso representa. Não podemos correr o risco de daqui a pouco a gente abrir esse material e se multiplicar, se propagar e se tornar inclusive um prejuízo aos nosso cultivos agrícolas no futuro”, explica.
Casos semelhantes foram registrados em oito estados até esta terça-feira (29), entre eles Goiânia, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraná.
As amostras coletadas serão analisadas no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura.
A investigação busca identificar a presença de pragas ou ervas daninhas e definir a espécie das sementes, mas, até o momento, não foi possível apontar os riscos. Por isso, a orientação é para que os moradores evitem abrir os pacotes.
As sementes também não podem ser plantadas nem descartadas no lixo. Claudir orienta que quem recebê-las deve acondicionar as embalagens, de preferência, dentro de mais um pacote plástico.
Também é possível entrar em contato com a divisão de defesa sanitária vegetal da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS pelos telefones (51) 3288-6289 ou (51) 3288- 6294.
A Embaixada da China no Brasil contesta a origem e diz, em nota, que segue as normas da União Postal Universal. O país analisou as etiquetas de endereço e diz que foram falsificadas. Leia a nota na íntegra.
As sementes de plantas são artigos proibidos como importados (ou em trânsito) ou admitidos condicionalmente para os países membros da UPU (União Postal Universal). O China Post segue estritamente as disposições da UPU e proíbe o transporte de sementes pelos Correios. Após verificação com o China Post, as etiquetas de endereço das embalagens se revelaram falsas com layouts e informações errôneos.
Maioria relata que pacote chegou junto com encomendas de sites asiáticos
Divulgação/SEAPDR
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