Morre emir do Kuwait, veterano da diplomacia no Golfo


O xeque Sabah era considerado um intermediador das tensões entre os países da Península Arábica com o Irã. Sabah al-Ahmad al-Sabah, emir do Kuwait, durante uma entrevista coletiva nos EUA, em 2017
Kevin Lamarque/Reuters
O emir do Kuwait, o xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, morreu nesta terça-feira (29) aos 91 anos. Ele era um veterano da diplomacia do Golfo e presenciou mais de cinco décadas de crise e conflito.
“Com grande tristeza e pesar, lamentamos a morte do xeque Sabah al-Ahmad al-Sabah, emir do Kuwait”, declarou o xeque Ali Jarrah al-Sabah, ministro encarregado dos assuntos reais, em uma gravação transmitida pela televisão.
Antes mesmo do anúncio oficial, a TV do Kuwait interrompeu sua programação e transmitiu versos do Alcorão.
Localização do Estado do Kuwait, na Península Arábica
G1
O emir viajou aos Estados Unidos no final de julho para continuar seu tratamento médico, segundo as autoridades, que não deram detalhes sobre a natureza de sua doença.
Não ficou claro se o emir ainda estava nos Estados Unidos quando morreu ou se já havia retornado ao seu país.
Após sua hospitalização no Kuwait, em 18 de julho, o chefe de Estado delegou parte de seus poderes ao príncipe herdeiro, o xeque Nauaf Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah. Este último, seu meio-irmão de 83 anos, irá sucedê-lo.
Histórico de problemas de saúde
Em 2002, seu apêndice foi retirado e antes disso, em fevereiro de 2000, ele havia colocado um marcapasso cardíaco.
Em 2007, foi submetido a uma cirurgia do trato urinário nos Estados Unidos.
Em setembro de 2019, o emir havia passado por exames médicos após sua chegada aos Estados Unidos, o que levou ao adiamento e posterior cancelamento de uma reunião com o presidente americano Donald Trump.
Mediador
O xeque Sabah foi considerado o arquiteto da política externa do Kuwait moderno, sendo um grande aliado dos Estados Unidos e da Arábia Saudita e mantendo boas relações com o arquirrival desta, o Irã.
Sabah é o segundo líder influente que morreu neste ano: em janeiro, faleceu o sultão Qabus do Omã. Os dois eram considerados mediadores dos conflitos que marcam a região.
O Oriente Médio hoje é marcado por tensões entre os países da Península Arábica com o Irã. Neste litígio, o xeque Sabah tinha adotado um papel de intermediação e pediu uma redução das tensões no Golfo.
Sua morte “terá um impacto profundo, devido ao seu papel como diplomata e mediador regional, mas também como uma figura unificadora em seu país”, disse Kristin Diwan, do Arab Gulf States Institute, com sede em Washington.
“Os kuwaitianos apreciavam sua capacidade de manter o emirado fora de conflitos e rivalidades regionais”, acrescenta.
Estabilidade e normalização
Seu reinado foi marcado por turbulências políticas: manifestações e prisões de opositores, além da queda do preço do petróleo, do qual o país depende.
Embora tenha sido considerado um progressista, especialmente pelas reformas econômicas e sociais que realizou e pelos direitos das mulheres, ele descartou a legislação dos partidos políticos.
A política do sucessor não deve se afastar muito da do xeque Sabah. A normalização das relações com Israel continua a ser muito impopular na sociedade do Kuwait.
“A prioridade dos dirigentes será, primeiro, a estabilização interna e, depois, a das suas políticas regionais”, afirma Diwan, que indica que as eleições legislativas devem ocorrer daqui a dois meses e que não há sinais de mudança na posição do Kuwait sobre a normalização.
Nomeado príncipe herdeiro em 2006, o xeque Nauaf Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah ocupou vários cargos importantes no governo de seu país.
Quinto filho do xeque Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, que liderou o Kuwait de 1921 até sua morte em 1950, o xeque Nauaf foi ministro da Defesa em 1990, ano da invasão do emirado pelas tropas iraquianas de Saddam Hussein.
Veja uma reportagem sobre a primeira guerra do Iraque.
Guerra no Iraque: Fronteira entre Kuwait e Iraque (2003)
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