Morte de vereador de Funilândia foi motivada por disputa sindical, diz polícia; parlamentar de BH é apontado como mandante


A Polícia Civil informou que cumpriu onze mandados de prisão. Um homem, que é presidente de um sindicato em Contagem, continua foragido. O vereador Ronaldo Batista (PSC), na delegacia de homicídios da Polícia Civil de MG.
Fabiana Almeida / TV Globo
O assassinato do vereador de Funilândia, Hamilton de Moura, ocorrido em julho deste ano, foi motivado por disputa de poder entre sindicatos, de acordo com a Polícia Civil. O vereador Ronaldo Batista (PSC), que é presidente da Federação dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Minas Gerais (FetroMinas), é suspeito de ser o mandante do crime. A informação foi confirmada pelo delegado que investiga o caso, Domênico Rocha, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (16).
De acordo com o delegado, Hamilton de Moura se tornou sindicalista ainda na década de 90. Em 2010, apoiou o vereador, Ronaldo Batista, que concorria à presidência de um sindicato. Mas, segundo a polícia, pouco depois, houve rompimento da aliança entre os dois.
Vereador da cidade de Funilândia, Hamilton de Moura, é encontrado morto em BH
Divulgação
Hamilton decidiu criar um sindicato à parte, que enfraqueceu o que o vereador presidia na época, especialmente em termos de arrecadações. Segundo as investigações, ele passou também a patrocinar ações judiciais contra Ronaldo Batista, que resultaram em “condenações milionárias”, segundo o delegado.
Uma destas ações, promovida pelo Ministério Público do Trabalho, contou com mais de cem documentos, que foram entregues pessoalmente por Hamilton de Moura. E, por último, a vítima ainda estava se articulando para disputar a presidência da FetroMinas.
Esta ação civil pública se desdobrou em bloqueio de mais de R$ 500 mil de imóveis de Ronaldo Batista, no dia 9 de julho, apenas doze dias antes da morte do vereador de Funilândia.
Morte planejada
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Segundo o delegado Domênico Rocha, no dia da morte, Hamilton de Moura foi atraído por uma mulher, identificada como Vanessa, para um encontro no ponto final de ônibus, que fica próximo à Estação Vila Oeste. A vítima teria sido procurada por esta mulher, supostamente interessada em um lote que ele estava vendendo.
Quando chegou ao local, Hamilton foi morto com treze disparos de arma de fogo, todos na cabeça e no pescoço. “Chamou a atenção que ninguém ouviu barulho de disparo. As pessoas de maneira franca não ouviram nada. Começamos a suspeitar que usaram silenciador na arma, o que denotaria profissionalismo dos executores”, falou o delegado.
A Polícia Civil conseguiu a quebra do sigilo telefônico de Vanessa e descobriu que a mulher não existia. Os investigadores chegaram até o ex-policial penal que executou o vereador e a um policial militar da ativa, que teria dado cobertura na hora do crime. De acordo com o delegado, os dois se passaram pela mulher por um aplicativo de mensagens.
Um outro suspeito de envolvimento no homicídio, ao ver que as investigações avançavam, procurou a polícia para acordo de delação premiada. E, através deste acordo, a Polícia Civil chegou até o vereador preso, Ronaldo Batista (PSC).
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No dia 21 de agosto, foi deflagrada a primeira fase da operação, com cumprimento de mandados de busca e apreensão no gabinete do vereador Ronaldo Batista, na Câmara Municipal. Dez computadores foram apreendidos no local.
Na ocasião, foram presos o policial militar e o ex-policial penal, suspeitos da execução, além de outros envolvidos. Na casa do ex-policial penal, o carro usado para a fuga, a arma e cerca de R$ 40 mil foram apreendidos.
Nesta quinta-feira (15), foi deflagrada a segunda fase, quando o vereador Ronaldo Batista foi preso no bairro Castelo, na Região da Pampulha. Outras cinco pessoas também foram detidas. Ao todo, a polícia cumpriu 11 mandados de prisão.
Um homem, que também estaria envolvido no crime, continua foragido. O nome dele é Gerson Geraldo Cesário, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários Urbanos Intermunicipais, Interestaduais, Fretamento e Turismo de Contagem e Esmeraldas (Sintetcon).
Justiça
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou, na noite desta quinta-feira, que a prisão preventiva dos acusados foi decretada para “resguardar a ordem pública, a instrução penal que se inicia e a segurança das testemunhas e dos familiares da vítima”.
O juiz do 1º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, Marcelo Rodrigues Fioravante, recebeu a denúncia do Ministério Público (MP), em que o vereador é apontado como detentor de um “relevante poder político e econômico, com forte atuação na condução de assuntos sindicais e na tentativa de influenciar nas investigações policiais”.
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