Morte no Carrefour: Brasília teve protestos no Dia da Consciência Negra


Manifestantes fizeram ato na Praça Zumbi dos Palmares e em frente a uma das lojas da rede, na Asa Sul. Supermercado da quadra 402 foi fechado. Manifestantes do DF protestam pedindo justiça por homem negro que morreu agredido em unidade do Carrefour, em Porto Alegre
Carolina Cruz/G1
A morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado e morto por dois seguranças brancos, em um supermercado, em Porto Alegre, levou manifestantes às ruas de Brasília nesta sexta-feira (20). O crime, em uma loja do Carrefour, na capital gaúcha, ocorreu na noite de quinta (19), véspera do Dia da Consciência Negra.
Laudo inicial da perícia aponta que João Alberto foi asfixiado
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Os protestos começaram pouco depois do meio-dia e seguiram durante a tarde. Por volta das 17h, o “Ato em Defesa das Vidas Negras”, organizado pela Frente Distrital pelo Desencarceramento, reuniu jovens dos Movimentos Negros e organizações de Defesa dos Direitos da Juventude, na Praça Zumbi dos Palmares, no Setor de Diversões Sul.
De lá, o grupo ocupou uma das faixas do Eixo W e caminhou até a quadra 402 Sul, onde fica uma das lojas da rede, que é aberta 24 horas. No entanto, eram 20h e o supermercado estava fechado.
FOTOS: as manifestações pela morte de homem negro em supermercado de Porto Alegre
Manifestantes na unidade do Cerrefour, na 402 Sul, em Brasília durante protesto pedindo justiça por homem negro que morreu no RS
Carolina Cruz/G1
Uma das participantes do ato, Ayla Viçosa, destacou que sente “revolta, medo e dor” pela morte de João Alberto. “Nós temos que fazer o nosso levante. É um sentimento que potencializa dentro de todos que se revoltam e abraçam à política antirracista, de construir uma política que não seja pautada no extermínio negro”, disse a jovem.
Outro manifestante, Samuel Vitor Gonzaga Santos, contou que sofreu como se tivesse perdido um familiar. “A gente sente como se fosse um irmão, como foi também com George Floyd”, afirmou.
“Ver aqueles homens brancos socando um irmão negro, é de chorar. Essa estrutura racista vai continuar se não houver nenhuma mudança “, disse o jovem.
Algumas pessoas gritavam frases como “eu não consigo respirar” – dita por George Floyd, homem negro morto durante uma abordagem policial, em maio, nos Estados Unidos.
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Grupo protesta em Brasília contra espancamento de homem negro em supermercado no RS
Segundo relatos, João Alberto Silveira Freitas, antes de morrer, gritava que não conseguia respirar, mas continuava sendo espancado por dois seguranças do supermercado Carrefour do bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre. As análises iniciais do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) apontaram para a possibilidade de asfixia como causa da morte de João Alberto.
Policiais e manifestantes na unidade do Cerrefour, na 402 Sul, em Brasília durante protesto pedindo justiça por homem negro que morreu no RS
Carolina Cruz/G1
O que diz o Carrefour
Após a lamentável e brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia, o Carrefour informa que:
– Definiu que todo o resultado de lojas Carrefour no Brasil nesta sexta-feira, 20 de novembro, será revertido para projetos de combate ao racismo no país. O valor será destinado de acordo com orientação de entidades reconhecidas na área. Essa quantia, obviamente, não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita;
– amanhã, 21/11, todas as lojas do Grupo em todo o Brasil abrirão duas horas mais tarde para que neste tempo possamos reforçar o cumprimento das normas de atuação exigidas pela empresa a seus funcionários e empresas terceirizadas de segurança;
– estamos buscando contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário neste momento difícil;
– a loja do bairro Passo D’Areia será mantida fechada;
Todas essas ações complementam as decisões já anunciadas de rompimento de contrato com a empresa que responde pelos seguranças envolvidos no caso e de desligamento do funcionário que estava no comando da loja no momento do ocorrido.
Reiteramos que, para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que ocorreu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.”
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