MP arquiva investigação sobre suposto esquema de ‘rachadinha’ contra o deputado Gil Diniz, líder do PSL na Alesp


O ex-funcionário Alexandre Junqueira disse em outubro do ano passado que presenciou devoluções de salários e gratificações, além de funcionários fantasmas no gabinete do parlamentar. Mas o promotor do caso afirma que não há provas sobre o favorecimento do deputado no suposto esquema. O deputado estadual Gil Diniz, do PSL, em discurso da Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Carol Jacob/Alesp
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) arquivou nesta segunda-feira (28) o inquérito aberto contra o deputado estadual Gil Diniz, líder do PSL na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), que era acusado de suposta prática de “rachadinha” por um ex-funcionário de gabinete.
De acordo com o promotor Ricardo Manuel Castro, apesar de haver indícios de saques de dinheiro feitos por empregados do gabinete do parlamentar em datas próximas do pagamento dos vencimentos, o MP não encontrou evidências de que os recursos favoreceriam Gil Diniz.
“É bem verdade que diversos assessores realizaram saques de dinheiro em espécie na mesma data ou em data próxima ao recebimento de seus vencimentos junto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, mas não há indícios de que esse numerário ingresse, nessas mesmas datas, nas contas do investigado, de modo a não existir prova robusta no sentido da ocorrência do conhecido esquema da “rachadinha””, afirmou o promotor do caso.
Ao decidir arquivar o caso, Ricardo Manuel Castro afirmou que processar o deputado sem provas robustas “é temerário”.
“Sem prova robusta, ou sequer indícios contundentes desse repasse de valores, o manejo de qualquer medida judicial seria temerário. Dessa forma, mesmo diante do afastamento do sigilo bancário do investigado e de todos os seus assessores, não se obteve êxito na comprovação da irregularidade descrita na representação”, afirmou Castro.
Por meio de nota, o deputado Gil Diniz declarou que “o arquivamento era esperado” e que a denúncia do ex-funcionário dele tinha o objetivo de “atacar o presidente Jair Bolsonaro”.
“Fui de livre e espontânea vontade ao MP, coloquei meu sigilo bancário à disposição do promotor, assim como todos os assessores fizeram o mesmo. A denúncia do ex-assessor tinha por objetivo atacar o Presidente Jair Bolsonaro e sua família, me usaram porque sabem da minha proximidade com o Presidente e seus filhos. Estou tomando todas as medidas jurídicas para que o autor dessa falsa denúncia seu punido exemplarmente”, afirmou o parlamentar.
Ex-assessor denuncia deputado do PSL em São Paulo por “rachadinha”
Denúncia
Alexandre Junqueira apresentou a denúncia contra Gil Diniz (PSL) por suposta prática de “rachadinha” em outubro de 2019. Na época, Diniz negou que exigia parte da remuneração dos funcionários. Para o parlamentar, a denúncia se tratava de uma “retaliação política” de Alexandre Junqueira, conhecido como “Carioca de Suzano”, por ter sido demitido do gabinete.
Em entrevista à TV Globo, Junqueira afirmou que, além do repasse de parte do salário, Gil Dinis também praticava esquema de funcionárias fantasmas no gabinete. “Eu não fiz o repasse. Por isso que eu fui exonerado. Tudo será provado. Tudo será provado”, afirmou.
O ex-assessor parlamentar contou que conheceu Gil Diniz quando trabalhava como voluntário na campanha de Eduardo Bolsonaro (PSL) para deputado federal. Conhecido como “Carioca de Suzano”, Alexandre disse que se aproximou dos políticos pela atuação nas redes sociais.
“Na campanha eu era motorista do Eduardo [Bolsonaro] e voluntário. Dirigia para ele, e o Gil junto, fazendo campanha junto. Eu dirigia e panfletava”, afirmou.
De acordo com o deputado, Junqueira “era um mau funcionário, chegava atrasado e não tinha comprometimento com a assiduidade”.
“Pode ser, sim, retaliação, mas, mais caso pessoal deste ex-assessor. Eu tenho um gabinete enxuto, com 12 assessores, eu tenho três assessoras as três estão aqui e sempre estão aqui. Ele precisa provar o que está dizendo”, afirmou o deputado, referindo-se a uma outra denúncia do ex-funcionário de que ele tinha uma “funcionária fantasma” no gabinete.
O deputado estadual Gil Diniz (PSL-SP) em seu gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo
Tahiane Stochero/G1
O deputado negou as acusações de “rachadinha” e diz que “jamais” pediu parte do salário aos funcionários.
“Jamais [pedi], até porque a campanha está bem longe de começar e não somos candidatos a nada ainda no ano que vem. Eu sabia que uma hora iria surgir uma denúncia de nos colocar na vala comum da corrupção, sabia que isso iria acontecer, e infelizmente aconteceu. Eu estou extremamente chateado, porque era uma pessoa próxima que teve a oportunidade. Para mim, foi uma retaliação de quem está chateado pela exoneração”, afirmou.
Diniz tomou posse em 15 de março deste ano, data do início do mandato dos atuais deputados estaduais de São Paulo. Junqueira ficou contratado de março até julho.

Ex-assessor denuncia “rachadinha” em gabinete do deputado estadual Gil Diniz, do PSL
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