MP do Rio pede prisão de promotor denunciado por oferecer propina a desembargador

Segundo a denúncia do Ministério Público, o promotor queria soltar um miliciano, cliente do escritório de advocacia da esposa dele, e ofereceu R$ 190 mil a um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio. MP do Rio pede prisão de promotor denunciado por oferecer propina a desembargador
O Ministério Público do Rio pediu a prisão de um promotor denunciado por oferecer propina a um desembargador do Tribunal de Justiça para liberar um miliciano.
Os promotores afirmam que a propina foi oferecida em encontro em frente a um prédio em Copacabana. Era a segunda tentativa do promotor Horácio Fonseca de encontrar o desembargador do Tribunal de Justiça do Rio, Marcos Chut. Os dois tinham sido colegas no Ministério Público. Depois da insistência, o desembargador aceitou receber o promotor na porta de casa.
De acordo com a denúncia, durante o encontro, Horácio Fonseca contou que um cliente do escritório de advocacia da esposa dele estava preso.
O promotor disse que o plantão do desembargador aconteceria no dia seguinte e “que sua esposa ingressaria com um pedido de habeas corpus em favor do preso, afirmando que só teria R$ 190 mil para resolver o problema”. O desembargador interrompeu e disse: “Horácio, eu não estou entendendo. Você está querendo dizer que você veio até mim para me pedir para que eu solte uma pessoa no plantão, presa por roubo, em troca desta quantia de R$ 190 mil?”. O promotor, segundo os investigadores, respondeu que sim.
A denúncia narra que o desembargador, indignado, interrompeu a conversa e foi embora. Depois, ele relatou o caso ao Ministério Público.
Segundo a denúncia, o promotor queria soltar é o miliciano Adalberto Ferreira de Menezes, preso em flagrante, em março de 2019, com aproximadamente R$ 50 mil. Ele responde pelos crimes de extorsão e de associação criminosa. Adalberto faz parte do alto escalão da quadrilha de Wellington da Silva Braga, o Ecko, que atua na Zona Oeste do Rio.
Durante a investigação, o Ministério Público apreendeu um celular com Marcos Vinicius Pinto Chaves, que teria acompanhado o promotor Horácio Fonseca no encontro com o desembargador. Na ocasião, Marcos Vinícius foi apresentado como um dos sócios do escritório da esposa do promotor, Kelly de Oliveira Maia.
O MP identificou que Marcos fez 17 consultas no site do Tribunal de Justiça para acompanhar a situação do processo criminal do miliciano.
Horácio Fonseca é promotor da Vara Criminal de Bangu, na Zona Oeste da cidade, e continua em atividade. O Ministério Público pediu a prisão dele e o afastamento das funções. A denúncia afirma que o promotor promoveu e organizou o crime, inclusive dirigindo a participação dos demais denunciados.
A defesa do promotor Horácio Afonso Fonseca informou que vai provar no processo que a denúncia não está baseada em fatos.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com Kelly Michelly de Oliveira Maia e Marcus Vinícius Pinto Chaves.
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