‘Muitos deles, jovens, negros. Sem tradição política’, diz Valter Nagelstein sobre vereadores do PSOL eleitos em Porto Alegre


Declaração do político do PSD faz parte de uma análise do cenário pós-eleição, segundo a assessoria. PSOL teve cinco candidatos eleitos, entre eles, a vereadora mais votada da Capital. Valter Nagelstein (PSD)
Reprodução/RBS TV
Valter Nagelstein (PSD), candidato à prefeitura de Porto Alegre nas eleições municipais deste ano, fez comentários sobre os vereadores eleitos do PSOL para a Câmara da Capital. A declaração, que foi confirmada pelo candidato e por sua assessoria de imprensa, circula num áudio em grupos de conversas na internet.
“Basta a gente ver a composição da Câmara, cinco vereadores do PSOL. Muitos deles, jovens, negros. (…) Sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência, sem nenhum trabalho e com pouquíssima qualificação formal”.
Derrotado na eleição municipal do dia 15 de novembro, Nagelstein diz que agora, para o segundo turno, apoia Sebastião Melo (MDB) na disputa contra Manuela D’Ávila (PCdoB).
Segundo a assessoria de comunicação do político, a declaração foi dada em contexto onde ele fazia uma análise do cenário pós-eleição. Confira o conteúdo do áudio na integra:
“Em primeiro lugar, muito obrigada, é o Valter que está falando, pelo apoio que tive. E rapidamente queria fazer duas ou três reflexões com vocês. A primeira delas, fica cada vez mais evidente que a ocupação que a esquerda promoveu, nos últimos 40 anos, da universidade, das escolas, do jornalismo e da cultura, produzem os seus resultados. Basta a gente ver a composição da Câmara, cinco vereadores do PSOL. Muitos deles, jovens, negros. Quer dizer, o eco aquele discurso que o PSOL fica incutindo na cabeça das pessoas. Pessoas, vereadores esses sem nenhuma tradição política, sem nenhuma experiência, sem nenhum trabalho e com pouquíssima qualificação formal”, disse no áudio.
Ao G1, Valter Nagelstein reafirmou que os candidatos eleitos pelo PSOL tem pouca qualificação e que essa é a sua opinião pessoal, a qual ele tem “o direito de dar”, além de dizer que não há nenhum tipo de preconceito racial em sua fala. (Veja manifestação completa abaixo).
“PSOL faz um discurso, há muitos anos, de que há um racismo estrutural no Brasil, que a sociedade brasileira é racista, é excludente, que neste racismo os jovens negros das periferias estão sendo exterminados. (…) E esse discurso encontrou eco agora nessa eleição e elegeu uma bancada jovem e negra isso é fato, não há nenhum preconceito, nenhuma discriminação”, afirmou.
O PSOL teve cinco candidaturas eleitas nestas eleições, entre elas a mais votada da Capital.
Karen Santos (PSOL) é a vereadora mais votada em Porto Alegre
Segundo o presidente do partido, Roberto Robaina, o PSOL se posicionou por meio de um vídeo que teve Márcio Chagas, candidato a vice-prefeito ao lado de Fernanda Melchionna, como porta-voz.
Chagas afirma que, ao contrário que atribui Nagelstein, a eleição de negros da esquerda e a chegada dos candidatos à Câmara se deve “ao Movimento Negro Brasileiro, que vem batalhando há anos por uma igualdade, por uma equidade, por respeito, por oportunidade”.
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Sebastião Melo e Manuela D’Ávila disputam o 2º turno em Porto Alegre
Ainda no mesmo áudio, Valter se manifesta contrário a eleição de Manuela D’Ávila (PCdoB) ao cargo de prefeita de Porto Alegre.
“A esquerda da já ganhou na Câmara de Vereadores, mas a esquerda não pode ganhar a prefeitura. Neste sentido, eu convoco a todos vocês que nós temos que nos somar, que nos unir para evitar que isso aconteça”, disse.
Ao G1, Nagelstein disse que as propostas que mais se aproximam do que defendeu na campanha do primeiro turno são as do candidato Sebastião Melo.
Nota de Valter Nagelstein
Quero esclarecer qualquer polêmica. Eu disse algo que eu vou repetir: o PSOL faz um discurso há muitos anos de que há um racismo estrutural no Brasil, que a sociedade brasileira é racista, é excludente, que neste racismo os jovens negros das periferias estão sendo exterminados. Esse discurso eles fazem dentro das universidades, no parlamento, nas escolas. E esse discurso encontrou eco agora nessa eleição e elegeu uma bancada jovem e negra isso é fato, não há nenhum preconceito, nenhuma discriminação. Só quem queira por razões ou interesses políticos queira me desqualificar vai dizer que eu sou racista ou preconceituoso né. As pessoas que me conhecem sabem que evidentemente isso passa longe de mim. A outra questão é que eu falei que esses vereadores que se elegeram desse partido têm pouca qualificação e eu falo isso de novo: acho que eles têm pouca qualificação. É uma opinião minha e eu tenho o direito de dar.
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