Mulheres podem contar com rede de apoio para escapar da violência doméstica; mas falta informação

Na última série da reportagem sobre feminicídio produzida pelo RJ1, mulheres relatam como vencer o medo e buscar ajuda permitiu romper os laços que as mantinham vítimas dos companheiros. Série sobre feminicídio orienta mulheres a pedir ajuda e escapar da violência doméstica
Mulheres vítimas de violência doméstica podem contar com a ajuda de redes de apoio para escapar dos agressores, mas falta informação sobre elas. É o que evidencia a última reportagem da série sobre feminicídio, produzida pelo RJ1.
A diretora da Casa Abrigo Viva Mulher Cora Coralina, Maria Cristiane Santos da Glória, reforçou que há opções para as mulheres buscarem ajuda, mas o desconhecimento atrapalha a busca efetiva pelo socorro.
“Ela não sabe que ela tem o 180 que ela pode estar solicitando o auxílio, que ela pode entrar em contado com o 190, que ela pode ir no CEAM Chiquinha Gonzaga, que é um Centro de Atendimento à Mulher Vítima de violência, que é uma das portas de entrada pra casa Cora Coralina”, disse.
Foi por causa do acolhimento no abrigo Casa Cora Coralina, da prefeitura do Rio, que uma mulher ouvida pelo RJ1 pode interromper um casamento que mais lembrava uma tortura.
“Eu fiquei com ele 13 anos e o histórico não foi dos melhores. Batia com o facão em mim. Tapas, socos, pontapés, batia com a minha cabeça na parede”, contou.
Questionada, a mesma mulher disse que também era agredida sexualmente.
“Porque eu não queria [fazer sexo] e tinha que fazer do mesmo jeito, porque senão ele jogava copo de água na minha cara. Falou que ia matar os filhos e ia se suicidar também e eu ia ficar no mundo sofrendo a perda dos meus filhos”, lembrou a mulher.
A decisão de chamar a polícia não foi fácil para ela, como nunca é, nesses casos, por conta do medo.
“Ficava com muito medo porque ele me ameaçava, falando que se fosse preso, fosse chamado na delegacia, ele iria me matar”, enfatizou.
Mas, numa última agressão ela chamou a polícia e foi até o fim. Da delegacia, ela foi encaminhada com os filhos para a Casa Cora Coralina. O abrigo oferece teto e assistência a quem precisa se afastar do agressor e não tem para aonde ir.
“É a única casa no município do Rio de Janeiro que é destinada para esse tipo de atendimento, que é o atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica, com risco iminente de morte”, enfatizou a diretora da Casa, Maria Cristiane Santos da Glória.
Mas, para a própria Delegacia de Amparo à Mulher (Deam), o suporte ainda é pequeno para um crime que só cresce.
“O estado do Rio de Janeiro são 92 municípios, desses 92 municípios apenas 30 têm serviços especializados. E desses serviços especializados poucos são aqueles criados por lei e ocupados por funcionários públicos em cargos efetivos. Quando são cargos comissionados, como são a maioria, a cada mudança política muda-se esses profissionais que são psicólogos, assistentes sociais, advogados e isso é péssimo para essa política pública, porque acaba sendo uma política pública de governo e não de estado”, avaliou a delegada diretora das Deams, Sandra Ornellas.
Escola de Homens
Onde começa e onde termina o fio que conduz à violência é uma resposta difícil de achar. Enquanto não se descobre, ataca-se em todas as frentes. O Tribunal de Justiça do Rio criou a Escola de Homens.
“O projeto Escola de Homens versa sobre grupos reflexivos com supostos autores ou autores da violência doméstica cujo o objetivo é tentarmos diminuir a reincidência [das agressões]”, disse a psicóloga do Juizado de Violência Doméstica do Rio de Janeiro, Joelma Perruti dos Santos.
Cada um dos homens que participam do projeto vai para a reunião do grupo por um motivo diferente.
“Ser explosivo. entendeu? Aqui, algumas coisas eu estou aprendendo. Estou vendo, de repente, futuramente, até um, não vou dizer um tratamento né, mas procurar uma ajuda para eu poder me comportar melhor, entendeu?”, contou um dos alunos da Escola de Homens.
Qualificação de assassinatos de mulheres
São muitos desafios e poucos recursos para diminuir a violência contra a mulher. Um dos projetos é mudar o protocolo de qualificação de assassinatos de mulheres. Muitos casos são registrados como homicídios dolosos, com intenção de matar, o que gera subnotificação de feminicídios.
A ONU sugere que esses crimes sejam registrados como morte violenta de mulher, que é mais abrangente.
“A ideia de partir de uma investigação a partir da morte violenta de mulher. Não tem no título, nem homicídio, nem feminicídio. Porque nesse caso do feminicídio é muito comum, também, a simulação. O autor, se acontece em casa, ele tem tempo suficiente para modificar esse local, de alterar esse local de crime”, apontou a delegada Sandra Ornellas.
Superação
As redes de apoio funcionam como mãos que se juntam para garantir uma questão simples: fortalecer a mulher para que ela reconheça o direito de fazer o que quiser.
“Eu tenho direito de ficar sozinha, eu tenho direito de não querer mais aquele casamento, eu tenho direito de ter um outro companheiro. Então, eu acho que quando a pessoa descobre que já não faz mais efeito com você, que não consegue te manipular, que não consegue te colocar medo, aquilo vai enfraquecendo”, disse a podóloga Cláudia Ferreira.
Onde procurar ajuda no RJ?
Polícia Militar (24h) – 190
Polícia Civil (24h) – 197
Para registro de ocorrência online acessar o site.
Central de Atendimento à Mulher (24h) – 180
Disque Cidadania e Direitos Humanos (24h) – 0800-0234567
Rede Estadual
CIAM Márcia Lyra (10h às 17h)
Endereço: Rua Regente Feijó, 15 – Centro
(21) 2332-8249/ (21) 99401-4950/ ciammarcialyra@gmail.com
CIAM Baixada (10h às 17h)
Endereço: Av. Duque Estrada 147 – Alto da Posse
Nova Iguaçu/RJ (21)2698-6008/ (21) 99394-3787/ ciambaixada@yahoo.com.br
CEAM Queimados (10h às 17h)
Endereço: Rua Ministro Odilon Braga 26 – Centro Queimados/ RJ
(21) 26652508 / (21)99422-3889/ ceamqueimados.rj@gmail.com
CEAM Itaguaí (10h às 17h)
Rua General Bocaiúva s/n° Centro
Itaguaí (21) 3782-9000, ramal: 2514 ceam.smas@itaguai.rj.gov.br
CEAM Natividade (9h as 17h)
Rua Intendente Frankly Rabello, n 08 – Sindicato – ( Ganha Tempo) Natividade RJ
Tel: 22 38412212 ceamnatividade@gmail.com
Núcleo Especial de Direito da Mulher Vítima de Violência (Nudem)
(21) 2332-6371 / (21) 97226-8267
Ministério Público do Rio – 127
(21) 99366-3100
Disque Denúncia – (21) 2253-1177
Disque SOS Mulher Alerj – 0800-2820119
Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM) – (21) 2334-9513/ 9504
Central Judiciária de Abrigamento Provisório da Mulher Vítima de Violência Domestica (Cejuvida) (21) 3133-3894 / 3133-4144
Rede Municipal
CEAM Chiquinha Gonzaga
Endereço: Rua Benedito Hipólito, 125 – Praça Onze (Referência: Centro de Artes Calouste Gulbenkian).
Contato: 2517-2726 / 98555-2151 e email: ceamcg.smasdh@gmail.com
Casas da Mulher Carioca Tia Doca
Endereço: Rua Julio Fragoso, 47 – Madureira
Contato: 2452-2217 e email: casadamulhertiadoca@gmail.com
Casa da Mulher Carioca Dinah Coutinho
Endereço: Rua Limites, 1349 – Realengo
Contato: 3464-1870
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