Mulheres são roubadas por homem que conheceram em app na BA e reclamam de demora nas investigações


Moradoras de Salvador foram roubadas pelo suspeito, que sumiu após o golpe. Em uma publicação na internet feita por uma delas, outras nove vítimas relataram casos parecidos. Feira de Santana: Mulheres denunciam golpe praticado por homens conhecidos via aplicativo
Mulheres em Salvador denunciaram um golpe após serem roubadas por um homem que elas conheceram em um aplicativo de relacionamento. Elas reclamam que, após dois anos do ocorrido, as investigações da polícia não avançaram.
Uma vítima, que não quis ser identificada, contou que entrou no aplicativo para fazer novas amizades e até, quem sabe, encontrar um companheiro. No app, ela encontrou um homem que lhe pareceu uma pessoa confiável e, depois de uma semana de conversa, os dois marcaram um jantar.
“No caminho, já que eu estava indo, ele já foi me dizendo por mensagem: ‘O meu celular está descarregando, grava esse número no seu celular’”, disse a vítima.
Segundo a vítima, quando o jantar terminou, o homem disse que o celular dele estava sem bateria e pediu o dela emprestado. A partir desse momento, veio o golpe.
“Ele [suspeito] falou assim: ‘A pessoa que eu estava esperando, acho que já chegou. Deixa eu ligar para saber do seu celular’. Peguei e dei meu celular, ele ligou do meu lado e falou: ‘Oi, você já está aqui na frente? Pronto. Eu vou sair e vou te mostrar aqui’. E saiu meio que acenando com a mão. Eu percebi depois de uns 20 minutos que ele não retornaria. Perguntei ao rapaz do restaurante se ele estaria ali próximo, mas disse que não. Então já saí do restaurante e de imediato fui prestar queixa na polícia”, explicou a vítima.
Mulheres denunciam golpe de homem através de app de relacionamento na BA e reclamam de demora nas investigações
Reprodução/TV Bahia
Além do celular levado, a vítima ainda teve que pagar a conta do restaurante. O prejuízo no total foi de R$ 2 mil. Depois de perceber o golpe, ela reuniu provas como conversas de celular, a foto do homem e ainda conseguiu descobrir o nome completo e o endereço dele, depois disso prestou queixa na polícia.
De acordo com a vítima, ela colocou na internet a foto do golpista e desabafou sobre o caso. Em meia hora, outras 9 mulheres entraram em contato com ela dizendo que também tinham sido vítimas dele.
Uma dona de casa, que também preferiu não se identificar, disse que o homem pediu dinheiro emprestado e nunca mais apareceu.
“Foi logo no 2º dia, ele já disse que precisava de um dinheiro para completar um dinheiro para consertar o carro. Nisso, ele me roubou R$ 200”, contou a dona de casa.
Psicóloga fala sobre os problemas que as vítimas podem desenvolver após o golpe
Reprodução/TV Bahia
As vitimas contam que até hoje as investigações não avançaram e não tiveram retorno da polícia.
“Descobri o nome dele, o endereço. Levei até a polícia todas essas informações. Fui na delegacia em mais alguns momentos para tentar saber se já tinham intimado ele alguma coisa e não tive retorno nunca da polícia. Acabei desistindo do processo, porque seria muito desgastante ficar indo o tempo todo”, contou a vítima.
A psicóloga Edlamar Teixeira explicou que, além do prejuízo financeiro, essas mulheres ainda tiveram danos emocionais.
“Uma mulher dessa chega em um nível de estresse, pode desenvolver uma síndrome de ansiedade, depressão, até porque ela retém todas essas informações, pela vergonha e pelo julgamento, inclusive dos pares e da sociedade. Ela sofre calada. Ela também se guarda de procurar ajuda, porque ela pensa que mais uma vez pode ser violentada, com os comentários”, explicou a psicóloga.
Hoje, as vítimas evitam sites e aplicativos de relacionamento e têm dificuldade de confiar em outra pessoa.
“Espero que sirva de alerta para outras mulheres, mas que também não tenham medo de ser mulher, no sentido de se relacionar com outras pessoas. Que esteja aberta a vida, mas claro, cautelosa, porque acho que a sociedade não está preparada para nós”, contou uma das vítimas.
A equipe de reportagem da TV Bahia entrou em contato com a Polícia Civil para saber sobre a demora nas investigações mas, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta.
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