No Rio, retomada da Lei Seca revela o aumento da irresponsabilidade dos motoristas

A quantidade de motoristas com sinais de embriaguez ao volante mais que dobrou. Antes da pandemia, o índice era de 4%. Agora, a fiscalização comprovou que o percentual chega a quase 10% dos abordados. Depois de sete meses suspensa por causa da pandemia, Lei Seca volta às ruas do Rio
Depois de sete meses suspensa por causa da pandemia, a blitz da Lei Seca no trânsito voltou às ruas no Rio de Janeiro.
O motorista tem conhecimento do perigo. Mas ainda há um abismo entre saber e cumprir. “É uma segurança a mais, uma precaução para as pessoas se policiarem a não cometerem certo tipo de infrações. Eu super apoio”, diz o motorista de aplicativo Yan Maia.
A retomada da operação Lei Seca, no Rio, revelou que a irresponsabilidade e a falta de respeito à vida estão maiores. A quantidade de motoristas com sinais de embriaguez ao volante mais que dobrou. Antes da pandemia, o índice era de 4%. Agora, a fiscalização comprovou que o percentual chega a quase 10% dos abordados.
“Tem que ter. Se não tiver, aí que vira bagunça. Aí que todo mundo faz o que quer. Sai bebendo, sai bêbado por aí”, opina o motorista de aplicativo Robson Domingos.
O coronavírus suspendeu as blitz da Lei Seca por quase sete meses. O retorno teve que ser antecipado diante de uma urgência: com a flexibilização das medidas de isolamento social, as mortes no trânsito aumentaram. Julho registrou o maior percentual de óbitos de 2020: alta de 6% em relação ao mesmo período de 2019.
A pandemia exigiu a criação de um novo modelo de blitz. Agora, uma barreira separa o agente do motorista que, em um primeiro momento, não sopra o bafômetro, mas precisa contar até dez perto do aparelho. Se os dois primeiros testes indicarem a ingestão de bebida alcoólica, ele será obrigado a usar o bafômetro, que tem um bocal descartável.
“O que tem que mudar, eu insisto nisso, é essa conscientização. A tolerância é zero. Não pode beber. Não tem um pouquinho, não tem muito, beber um pouquinho é a mesma coisa que beber muito. Não beba. A lei tem que ser obedecida”, afirma Antônio Carlos dos Santos, subsecretário de Ações Estratégicas da Casa Civil do Rio.
Fabiano foi parado na blitz da Lei Seca e a entrevista com ele foi reveladora. “Eu perdi a perna, foi por causa de uma pessoa que estava bêbada. Eu estava de moto, a pessoa estava de carro. Me pegou na contramão, a pessoa estava alcoolizada. Muito difícil. Tem dez anos já. Mas, até hoje, eu sinto ainda na pele”, conta o motorista de aplicativo Fabiano Santuchi Silva.
São pequenos minutos, um procedimento simples, mas de grande valor. “Quantas vidas são poupadas por conta dessa operação que intimida a pessoa a beber e dirigir? A gente não precisava disso, se todos tivessem um pouco mais de consciência”, afirma o motorista Rafael Batista.
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