Noruega quer participar de exercícios com EUA para ‘melhorar interoperabilidade’ dentro da OTAN

O governo norueguês está considerando enviar uma fragata para o Oriente Médio. Junto com os navios de guerra americanos, o navio norueguês fará exercícios em águas disputadas fora do Irã.

No plano preliminar de navegação, o grupo da frota ficará no mar Vermelho, golfo de Omã e oceano Índico, entre outros locais. Os exercícios ocorrerão entre 2021 e 2022 como parte do exercício de implantação cooperativa.

Bakke-Jensen explicou à emissora norueguesa NRK que os exercícios têm um propósito claro: melhorar a interoperabilidade da aliança com a Marinha dos EUA.

“Fortaleceremos a participação marítima norueguesa em atividades que aumentem a capacidade de defesa coletiva. Eles também devem promover a interoperabilidade com as forças navais dos EUA. Isso facilitará o apoio dos EUA à Europa, e à Noruega, em crises e guerras”, disse o ministro norueguês à NRK.

Segundo Bakke-Jensen, a atividade principal será somada ao Atlântico e ao Mediterrâneo, podendo também operações em outras áreas se tornarem relevantes.

“Estão sendo abertos destacamentos fora das áreas centrais da OTAN. A decisão final sobre a participação é tomada quando os acordos tiverem sido negociados”, frisou Bakke-Jensen, sem fornecer mais detalhes.

No verão – no Hemisfério Norte – de 2019, a Noruega foi convidada a ajudar militarmente no golfo Pérsico, mas recusou.

No entanto, vários dos navios da Marinha norueguesa foram “tropicalizados”, ou seja, estão sendo preparados para operações em áreas quentes através de sistemas de refrigeração e ar condicionado. A fragata KNM Fridtjof Nansen já está equipada para servir em áreas tropicais, e a KNM Roald Amundsen seguirá o exemplo. De acordo com a NRK, a Noruega gastou 91 milhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 55 milhões) em preparações para missões em águas tropicais.

Contudo, todo este trabalho preparatório desencadeou reações da oposição política norueguesa.

“É incompreensível para a Marinha contribuir para o incitamento da guerra no estreito de Ormuz. Os navios da Marinha norueguesa devem defender a costa da Noruega. Eles não lutarão com os EUA em águas tropicais”, disse Bjornar Moxnes, líder do partido Red (ala da esquerda radical).

Moxnes lembrou que Bakke-Jensen havia afirmado em janeiro deste ano que o envio de navios ao Oriente Médio era irrelevante, pelo que agora se questiona sobre o que pode ter mudado. Moxnes supôs que o governo esteja fazendo planos de participação bélica na região, já tendo firmado anteriormente um acordo de cooperação militar com a Jordânia. Nos próximos cinco anos, as forças especiais norueguesas passarão por treinamento em áreas desérticas e se prepararão para missões no Oriente Médio, ponderou Moxnes, considerando tal desenvolvimento infeliz.

“Este é um uso indevido de escassos recursos de defesa […] está em conflito direto com os interesses de segurança noruegueses. Ao enviar soldados e embarcações ao Oriente Médio, estamos aumentando a tensão na área. Não temos nada para fazer lá”, comentou Moxnes.

No entanto, Anniken Huitfeldt, presidente do Comitê de Relações Exteriores e Defesa, enfatizou que o treinamento com os EUA é importante e “não problemático”. A Noruega tem nos últimos anos reforçado sua cooperação com os EUA, incluindo escalas em portos de submarinos americanos, presença de fuzileiros navais estadunidenses em uma base rotativa, vigilância e vários exercícios conjuntos.

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