‘Notícia plantada pelo centrão’, diz Paulo Figueiredo sobre busca de Bolsonaro por novo partido

Sem legenda desde que deixou o Partido Social Liberal (PSL) em novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro estaria sendo incentivado por aliados a buscar um partido para poder disputar a reeleição à presidência em 2022. Segundo a jornalista Andréia Sadi, após tentar criar o próprio partido e não conseguir assinaturas suficientes, o presidente estuda até mesmo filiação a partidos do centrão como uma alternativa. A busca de Bolsonaro por um partido para as eleições foi tema de debate entre comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta quinta-feira, 19.

Paulo Figueiredo afirmou que, se o presidente estivesse filiado a alguma legenda, ele poderia contar com recursos humanos e novas alianças, mas disse enxergar os partidos como uma exigência da legislação que termina acumulando diversos nomes compostos por políticos semelhantes em siglas diferentes. “Procurei o Palácio do Planalto, procurei algumas fontes lá dentro para saber se essa notícia procedia ou não e a resposta que eu tive foi ‘notícia plantada pelo próprio centrão’. Como eu disse, eu não vejo grande relevância em qualquer uma das escolhas que o presidente viesse a fazer, se é que são verdadeiras, mas o que é que muda? Qual a diferença se o presidente for candidato pelo PSL, pelo Republicanos ou pelo PP? Não vejo diferença nenhuma. É tudo farinha do mesmo saco”, disse.

Thaís Oyama lembrou que, de acordo com a constituição, é necessário que alguém que vai concorrer à eleição esteja filiado a um partido político. “Ainda que não fosse pela lei, o presidente Bolsonaro não deveria ficar sem partido porque como ele só pensa na reeleição, para isso ele tem que ter a estrutura que o partido oferece, tem que ter base eleitoral nos municípios, o que o partido oferece, e tem que ter dinheiro, coisa que só o partido oferece, então ele tem de fato que começar a procurar um partido”, afirmou. A jornalista lembrou que apesar da briga com Milton Bivar o PSL ainda pode ser uma opção para Bolsonaro em 2022. “Como em política o que manda é o pragmatismo, apesar dessas mágoas todas, agora depois das eleições municipais parece que os dois lados estão um pouco mais propensos a esquecer essas mágoas de forma a juntar o poder de um com o dinheiro de outro”, lembrou.

Josias de Souza lembrou que, apesar de fazer parte de partidos do centro anteriormente, o atual presidente levantou a bandeira contra a política tradicional para ganhar as eleições. “O centrão é aquele grupo que o Bolsonaro decidiu demonizar na campanha de 2018. É impossível enxergar alguma racionalidade nesse vai e vem do presidente”, opinou, dizendo que Bolsonaro apresentou a “teatralização do novo” como uma alternativa radical, mas foi incoerente. “Ele vai chegar em 2022 sem maquiagem, no colo do centrão e com a imagem da sua família bem rachadinha”, finalizou.

Confira o programa 3 em 1 desta quinta-feira, 19, na íntegra:

 

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