Número de estudantes transferidos das escolas particulares para rede pública cresce 50,9% nas diretorias de ensino do Alto Tietê

Dados fazem referência ao período da pandemia da Covid-19 em comparação com o ano passado. Número de transferências para escolas municipais também cresceu. Transferência de alunos da rede privada para pública cresce 50% no Alto Tietê
As diretorias do ensino do Alto Tietê registraram um aumento de 50,9% no número de estudantes de escolas particulares transferidos para a rede pública, durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), na comparação com o ano passado. Foram 263 em 2019 e 397 neste ano.
As transferências para rede municipal também cresceram. Os dados indicam uma tendência observada em todo o Estado e é consequência da crise provocada pela quarentena, quando diversas famílias sofreram redução na renda e precisaram tirar os filhos da rede privada de ensino.
As filhas da assistente judiciário Tatiane Torres, Rafaela e Valentina, sempre estudaram na rede particular. A mãe conta que investia cerca de R$ 3 mil por mês com escola e material. Quando veio a pandemia, porém, tudo mudou. A escola não deu desconto no pagamento e ela achou melhor transferir as meninas para rede a pública.
“O custo da escola estava previsto no orçamento familiar, então, se estivesse em tempos normais, aquele custo estaria previsto no orçamento. Mas aí a gente começou a contrastar o alto custo com o baixo arrecadamento”, explica.
“A primeira ideia não era nem tirar da escola particular. Era conseguir um desconto, porque várias escolas aqui de Mogi deram um desconto bacana para os pais. No caso do colégio delas não. Eles negaram duas vezes por telefone, depois, numa terceira oportunidade, foi negado pessoalmente. A gente somou tudo: o desgaste, o baixo aproveitamento e o alto custo”.
Além de economizar com a mudança para uma escola municipal de Mogi das Cruzes, a Tatiane e as crianças gostaram do método de ensino.
“Excelente. Eu só tenho elogios a rede municipal. As professoras são ótimas. Também eram na escola particular. Isso não é especificamente da municipal. O pessoal é muito solícito, as aulas são ótimas, é tudo muito bem organizado. As professoras estão à disposição das duas o tempo todo, o dia inteiro. O material vem sempre bonitinho, tudo novinho”.
“Hoje o diferencial é o seguinte: elas não cumprem uma carga horária. Elas não tem obrigação de assistir as aulas de 13h a 17h30. Então eu consigo cumprir a minha jornada de trabalho. Quando encerro eu consigo disponibilizar uma hora, uma hora e meia, para cada uma de forma individual”, comenta a mãe.
“É muito divertido. Está sendo bem divertido para a gente, as aulinhas. Está facilitando bastante o nosso entendimento, dá para dar pausas na dificuldade que a gente tem na vídeoaula. É muito divertido. É melhor do que as aulas on-line, as vezes tem gente falando ao mesmo tempo, a gente fica com dúvida”, diz Valentina Torres de Almeida Santos, de 9 anos.
Rede municipal
As filhas da Tatiane fazem parte do grupo de alunos que mudou da rede particular para a pública durante essa pandemia. O aumento neste período, se comparado com o de 2019, foi de 207% de novos alunos na rede municipal.
A cidade com o maior porcentagem de transferências foi Poá, com 588%, seguida de Ferraz de Vasconcelos, que registrou 289,4% a mais e Itaquaquecetuba, com um crescimento de 208,51%. Arujá vem logo abaixo com um aumento de 208%. Depois estão Guararema (137,5%), Suzano (129,7%) e Santa Isabel com 120%.
Mogi das Cruzes teve 45 pedidos de transferência para a rede municipal, mas como as mudanças são feitas diretamente da escola, a Secretaria de Educação não soube dizer quantos estudantes vieram de escolas particulares. Biritiba Mirim e Salesópolis não responderam aos questionamentos.
Rede estadual
Após o início da pandemia, as transferências de alunos de escolas particulares para as estaduais também aumentou. Em todo o estado de São Paulo, foram 43,9% a mais. Já nas diretorias de ensino que atendem as cidades do Alto Tietê, o número é ainda maior: 50,9%. Os dados são da Secretaria de Estado da Educação.
Das diretorias de ensino que atendem a região, a que teve maior número de transferências foi a de Suzano e Ferraz de Vasconcelos, que somam 139%. Em seguida está a de Itaquaquecetuba e Poá, com 44,68%. Depois vem Arujá, Guararema e Santa Isabel com 41,17%. Por fim, Biritiba Mirim, Mogi das Cruzes e Salesópolis com apenas 5,12% transferências a mais.
O subsecretário de articulação regional Henrique Pimentel Filho, da Secretaria de Estado, explica que houve mudança na matrícula dos alunos e a rede pública tem suprido o aumento de novos alunos nas escolas estaduais.
“O sistema de matricula anterior precisava que o pai fosse até a escola, apresentasse a documentação na escola. A gente mudou para um sistema 100% on-line, para facilitar a vida daquelas pessoas que precisassem. Essas pessoas fazem todo o processo de requisição da matricula, emissão de documentos on-line. O estudante é alocado na escola mais próxima da casa dela. Seja uma escola municipal, seja uma escola estadual”.
Ainda segundo Pimentel, o prazo para realizar a matrícula e rematrícula foi estendido. “A gente já começou nosso projeto de matricula, a rematrícula dos alunos da rede estadual e a matrícula dos alunos para o próximo ano. Esse processo vai até o dia 16 para a rede pública, para o estudante fazer a rematrícula. A gente aumentou o prazo para aqueles da rede privada também fazerem suas matriculas”.
“Digamos que hoje o aluno está na rede privada e ele quer migrar para a rede pública, ele tem até o dia 30 de novembro para efetuar essa transferência da privada para a pública. Isso a gente adiantou o processo esse ano, justamente, para dimensionar bem quem é o nosso público do ano que vem, qual que é a nossa demanda da rede estadual, e conseguir abrir as novas turmas, fazer a manutenção dos alunos nas escolas onde a gente tem vagas hoje em dia”, completa.
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