O Rio de Janeiro é um angu de caroço

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alvo de uma investigação na Justiça e de um processo de impeachment, está afastado.

O vice, governador em exercício Claudio Castro, está sendo investigado no mesmo processo de Witzel, e também em um inquérito de desvio de recursos públicos assistenciais. Foi delatado como tendo recebido propina por pelo menos um empresário. Não há muita gente na ALERJ que acredite em seu futuro.

O seguinte na linha de sucessão é o presidente da Assembleia, André Ceciliano, investigado no inquérito de Witzel, no das rachadinhas e por um esquema de corrupção envolvendo cidades do interior do estado.

Na hipótese, não improvável, de Castro e Ceciliano serem afastados, quem assume o governo é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Claudio de Mello Tavares. Nesse caso, se e quando forem afastados definitivamente, Tavares deverá convocar eleições.

Enquanto o afastamento dos antecessores for temporário, entretanto, Tavares ocuparia o posto em caráter precário, sem convocar eleições. Em tese, essa situação poderia se arrastar indefinidamente. A situação no Rio é tão anômala que, fosse o presidente da República qualquer outra pessoa, uma intervenção federal estaria na ordem do dia.

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Ocorre que o presidente é Jair Bolsonaro, cujo filho Flavio está sendo investigado pelo esquema das rachadinhas, inquérito em que está também o ex-assessor e velho amigo do presidente, Fabricio Queiroz, responsável por depósitos na conta da primeira dama que ninguém consegue explicar. E, não custa ressaltar, Flavio tem transações em dinheiro vivo com dois filhos do pai, duas ex-mulheres do pai, assessores do pai e o próprio pai.

Outro filho, Carlos, também está sendo investigado por desvio de dinheiro público, e, junto com ele, estão a segunda mulher do pai e sua família.

Como nada no Rio é complicado a ponto de não poder ficar mais complicado, a denúncia contra Flavio e Queiroz, feita esta semana, vazou para a imprensa, e o Procurador-Geral do Estado a suspendeu. O novo PGE, aliás, será nomeado em novembro, assunto que, pelos motivos acima, interessa sumamente ao presidente da República.

Com tudo isso, uma eventual tentativa de intervenção no Rio causaria um furdunço literalmente federal.

Não está fácil adivinhar para onde vai o Rio.

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