Obra de ginásio esportivo, orçada em mais de 1 milhão de reais, fica só na promessa na Baixada Fluminense

O aposentado Sebastião de Freitas, de 69 anos, caminha diariamente no entorno do terreno, cuja área é de cerca de 20 mil metros quadrados. Ele acompanhou todas as fases da obra:

— Já vi começar e parar várias vezes. Está rendendo à beça. Nossa esperança é que termine logo para dar um aspecto melhor ao bairro.

Placas informam sobre a obra de mais de R$ 1 milhão que nunca acaba: ao redor, lixo e sensação de insegurança Foto: Cléber JúniorA dona de casa Nilza Santos Araújo, de 59 anos, disse que os trabalhos no terreno foram retomados há um mês, mas pararam novamente há alguns dias.

— Há um mês estava a todo vapor. Depois, parou de novo. Não entendo. Quando prometeram esse ginásio, todo mundo ficou feliz, mas só enrolaram a gente. A gente quer um lazer — afirmou a dona de casa Nilza Santos Araújo, de 59 anos.

Nilza se exercita na Academia ao Ar Livre, que foi construída ao lado do ginásio. Mas ela reclamou do estado dos equipamentos:

— Tem aparelho quebrado. Para os outros, a gente traz óleo para lubrificar porque não existe manutenção.

Em frente à obra, terreno virou lixão. Foto: Cléber JúniorAo lado da área do ginásio há despejo indiscriminado de lixo, o que acaba atraindo ratos e insetos. Moradores também reclamam da sensação de insegurança, principalmente à noite:

— A iluminação à noite é muito fraca. Tentaram jogar uma mulher dentro de um carro. Podiam pelo menos fazer algo no terreno ao lado — pediu uma moradora que, preferiu não se identificar.

Em relação à insegurança no local, a Polícia Militar informou que o comando do 20º BPM (Mesquita) emprega seu efetivo no policiamento em viaturas, motocicletas e a pé. As ações são realizadas rotineiramente com o objetivo de reprimir práticas criminosas na área de atuação do batalhão.

Falta de recursos e atrasos com a pandemia

A Prefeitura de Nova Iguaçu disse que pediu o encerramento do convênio com o extinto Ministério do Esporte, através da Caixa, devido à falta de repasses de recursos que ocasionaram os atrasos na obra. O contrato, de dezembro de 2017, foi rescindido em março passado. O órgão acrescentou que, com a pandemia, as obras foram suspensas e estão sendo retomadas ‘‘com cautela’’.

Sobre os repasses da obra pelo governo federal, disse que os recursos nunca foram diretamente repassados para a prefeitura. O Ministério da Cidadania, que incorporou a pasta do Esporte, contestou.

‘‘Não procede a informação de que houve atraso na liberação dos recursos federais para a construção do complexo esportivo no bairro Cobrex. O início da obra não foi autorizado pela Caixa devido a irregularidades do município junto ao Cadastro Único de Convênios (CauC) e a pendências na entrega da documentação exigida’’, informou o ministério.

Sobre a Academia ao Ar Livre, a prefeitura disse que a Secretaria Municipal de Serviços Públicos vai enviar uma equipe ao local para saber se há necessidade de melhorar a iluminação. Caso necessite, o serviço será feito. Em relação aos equipamentos quebrados, a Secretaria de Infraestrutura informa que eles são novos e que foram alvos de vandalismo, mas o reparo será providenciado.

Sobre o lixo, a Empresa Municipal de Limpeza Urbana informou que há descarte irregular de lixo de forma contínua, e que há um canal de atendimento, o Disk Emlurb (0800 023 2626).

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