OMS vai disponibilizar 120 milhões de testes rápidos de Covid-19 para 133 países de baixa e média renda


Teste utilizado vai dectectar antígenos – as proteínas do novo coronavírus (Sars-CoV-2) – e deverá mostrar resultados em 15 a 30 minutos, segundo a entidade, que também pontuou 4 situações para o uso dos exames. Amostras de sangue de pacientes são vistas em um teste de vacinas contra a Covid-19 na Flórida no dia 7 de agosto.
Joe Raedle/Getty Images/AFP
A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou, nesta segunda-feira (28), que vai disponibilizar 120 milhões de testes de Covid-19 para 133 países de baixa e média renda em um período de seis meses. A OMS não informou se eles serão disponibilizados no Brasil, mas disse que os testes ficarão disponíveis em “muitos países” na América Latina.
Os testes usados serão os de antígenos, aqueles capazes de identificar as proteínas do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Eles deverão mostrar resultados em 15 a 30 minutos, segundo a OMS. A entidade pontuou 4 situações em que o uso dos exames pode ser particularmente útil:
Para responder a suspeitas de surtos em locais remotos.
Para investigar grupos (os chamados “clusters”) nos quais há suspeita de surtos.
Para testar populações que têm maior exposição ao vírus, como os profissionais de saúde da linha de frente ou os trabalhadores essenciais. Os testes poderão ajudar a monitorar, com resultados rápidos, se eles foram infectados.
Para testagem em locais com transmissão comunitária disseminada – para saber onde está o vírus e quem está infectado com ele.
Segundo a líder técnica para a Covid-19 da OMS, Maria van Kerkhove, os testes de antígenos funcionam melhor quando o paciente tem uma alta quantidade de vírus (carga viral) no corpo – 2 dias antes do início dos sintomas até 5 a 7 dias depois da apresentação deles.
Van Kerkhove explicou que eles podem ser usados de forma conjunta com os testes PCR, que detectam o material genético do vírus em uma amostra. Os testes PCR, entretanto, podem levar tempo até apresentarem os resultados – porque precisam ser levados a um laboratório e analisados, o que pode demorar dias, lembrou a líder técnica. Já os testes de antígenos não precisam de um laboratório.
Maria van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da OMS
Christopher Black/OMS
“Muitos países não têm acesso a um resultado rápido de amostras de PCR”, disse van Kerkhove. “As amostras precisam ser levadas a um laboratório, e pode levar horas ou dias para chegar. Os testes de antígeno podem ser muito úteis, e são feitos ao lado do indivíduo”, esclareceu a técnica.
Ela também pontuou que, apesar de os testes não serem “perfeitos”, muitos estão funcionando bem em questão de sensitividade (capacidade de identificar os pacientes infectados com o vírus) e especificidade (capacidade de identificar os pacientes que não estão infectados com aquele vírus específico).
Os testes serão fabricados pelas empresas SD Biosensor e Abbot, e o volume será garantido por meio da Fundação Bill e Melinda Gates. Cada teste custará US$ 5, cerca de R$ 28.
O Fundo Global, uma parceria internacional de financiamento em saúde, irá contribuir, inicialmente, com US$ 50 milhões para a iniciativa (cerca de R$ 283 milhões), retirados do mecanismo de apoio à Covid-19. Segundo Catharina Bohme, diretora da Fundação para Novos Diagnósticos Inovadores (FIND, na sigla em inglês), da OMS, a verba permitirá aos países comprar, pelo menos, 10 milhões de testes. As primeiras compras serão feitas nesta semana.
Distribuição
De acordo com Bohme, a Unitaid, uma iniciativa de saúde global, e o Centro de Controle de Doenças da África (CDC, na sigla em inglês) vão ajudar a lançar os testes em até 20 países africanos a partir de outubro.
O diretor executivo do Fundo Global, Peter Sands, afirmou que o anúncio dos testes é “um grande passo em direção à alocação mais justa de diagnósticos”.
“Neste momento, países de alta renda estão conduzindo 292 testes por dia a cada 100 mil habitantes. Os países de renda média alta, 77 a cada 100 mil; os de média baixa, 61; e os de baixa renda, 14”, comparou.
“Eles [os testes de antígenos] não são uma bala de prata”, alertou o diretor do fundo, “mas extremamente valiosos como um complemento aos testes PCR, pois, embora sejam um pouco menos precisos, são muito mais rápidos, baratos e não requerem um laboratório”, ponderou.
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