Opinião: Como ficará o setor automotivo pós-pandemia?

strong>Por Almir Nogueira Junior*

O primeiro semestre de 2020 castigou severamente o setor empresarial, tanto da indústria como do varejo. Com exceção do agronegócio, que teve crescimento de 1,9% no mesmo período, segundo dados do IBGE, todos os segmentos apresentaram quedas bruscas em seu desempenho de vendas.

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Com a categoria automotiva não foi diferente. Dada a gravidade da situação, a Fenabrave chegou a anunciar, em maio deste ano, que das 7300 lojas no Brasil, cerca de 2,2 corriam o risco de fechar suas portas. O ritmo do comércio de automóveis chegou a ser comparado aos patamares do ano de 1992.

Em setembro, a instituição divulgou uma considerável melhora nas vendas de automóveis, sendo estimada a melhor performance de 2020, de acordo com os dados mais recentes, com crescimento de quase 10% (9,55%) com relação ao mês anterior.

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Mesmo que ainda esteja abaixo cerca de 27% no acumulado do ano, se comparado com 2019, é evidente que o segmento está retomando seu crescimento e o mercado tende a recuperar seu fôlego nos próximos meses.

A primeira tendência de crescimento pode ser um reflexo no aumento da procura das pessoas por veículos novos, em razão da própria preocupação com a contaminação ao utilizar o transporte público. Para quem estava na dúvida, o momento contribuirá muito para a tomada dessa decisão.

Outro fator a ser levado em consideração é o fato de que, mesmo durante a pandemia, a venda de automóveis de luxo se manteve estável (ou até mesmo com leve crescimento) já que uma parte da população, de classes mais altas, possuíam dinheiro em reserva, somado ao volume que foi poupado durante a crise, já que viagens e outras opções de lazer foram suspensas neste período.

Sob o ponto de vista comportamental, vimos uma transformação digital se acelerar com muita velocidade no país, no que diz respeito a compras on-line. Produtos que antes da crise tinham pouca saída via e-commerce, hoje já representam percentual razoável no faturamento mensal de um negócio.

Isso se aplica ao setor automotivo, cujas vendas virtuais tendem a subir, com suporte, inclusive, de empresas especializadas em intermediar clientes e concessionárias que também viram seu público aumentar com o isolamento social. Essa forma de atendimento mostrou excelentes resultados e contribui para evitar aglomerações em pontos de venda.

Em suma, o setor deverá passar por um processo previsível de readaptação, condizente com a nova postura desse novo consumidor e com as ferramentas tecnológicas que já fazem parte da rotina do brasileiro.

*Almir Nogueira Junior é fundador da DMA – Damato Marketing Automotivo

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