OS Ideias assume gestão do Hospital Alberto Torres; funcionários reclamam de atraso nos salários

Funcionários estão sem receber há dois meses. Profissionais relatam caso de enfermarias com 34 pacientes e apenas um enfermeiro. Hospital Estadual Alberto Torres tem troca de administração e funcionários com salários atrasados
A Organização Social catarinense Instituto de Desenvolvimento Ensino e Assistência à Saúde (Ideias) assumiu neste domingo (27), em caráter emergencial, a administração do Complexo Hospitalar Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.
Segundo os funcionários, até esse domingo a OS Lagos Rio, que gerenciava o hospital, não tinha pago os salários de agosto e setembro.
“Os funcionários do Complexo Alberto Torres, João Baptista Cáffaro e da UPA do Colubandê estão terminando hoje, domingo, o contrato com a Lagos Rio. Todos estamos aflitos porque não sabemos como vai ser o nosso pagamento de agosto e setembro. Então tá todo mundo aflito, confuso, sem saber se vai receber ou vai levar calote. São maqueiros, parte administrativa, pessoal da cozinha, enfermagem e médicos – todos sem pagamento. Um hospital de alta complexidade definhando”, lamentou uma funcionária”, lamentou uma funcionária.
Os funcionários não têm perspectiva sobre como será a relação com a nova administração.
“Ninguém fala nada, ninguém fala nada da outra empresa. Se vai nos receber, se não vai, se agente vai ser recontratado, se a gente não vai. Te colegas passando fome. Outros, não conseguem pagar o aluguel”, descreveu outro funcionário.
Profissionais que trabalham no Alberto Torres afirmaram que médicos que chegaram pra fazer plantão de 24 horas permaneciam na unidade 48 depois, uma vez que não sabiam quando outros colegas chegariam para substituí-los.
Os problemas administrativos prejudicam o atendimento.
“Minha avó passou mal. Ela passou pela primeira área de atendimento, onde explicaram o que ela estava tendo. Mandaram ela aguardar. Depois, deveria ter ido para a classificação de risco. O problema é que não tem médico no setor – o único que estava de plantão precisou correr para salvar uma criança que estava passando mal do outro lado do hospital”, relatou o motorista Adriano Devilarte, cuja avó precisou ser transferida para o Hospital de Itaboraí.
“Em cada plantão, nunca sabemos se teremos rendição – os colegas estão exaustos, doentes. Também faltam remédios e insumos. Tem até ratos lá dentro. O quantitativo de funcionários também está muito baixo. Um enfermeiro para cuidar de uma enfermaria com 34 pacientes. Um técnico e dois enfermeiros para atender uma quantidade imensa de pacientes”, enumerou uma funcionária.
Mesmo sabendo que o contrato com a OS Lagos Rio terminaria no domingo, a Secretaria de Estado de Saúde só se mobilizou para encontrar uma nova administração na quarta-feira (23).
A Ideias, única que se apresentou par o novo contrato, assumiu o Alberto Torres para receber pouco mais de R$ 20 milhões mensais.
A OS também vai gerenciar o Hospital Zilda Arns, em Volta Redonda, Região Sul Fluminense, por pouco mais de R$ 100 milhões anuais.
Por serem emergenciais, os contratos têm duração de um ano mas podem ser interrompidos antes.
A OS Lagos Rio, que administrava o Albert Torres até domingo, é investigada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Em junho, a organização foi apontada como suspeita de participação em fraudes de R$ 9 milhões em recursos da Saúde – cinco funcionários acabaram presos.
Por isso, a OS está impedida de receber recursos do Governo do Estado.
Adicionar aos favoritos o Link permanente.

“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”