Pandemia de Covid piorou indicadores de violência contra a mulher

No primeiro semestre, 1.890 mulheres foram assassinadas: 2% a mais do que no mesmo período de 2019. Aplicativo de celular ajuda mulheres vítimas de violência doméstica
Um aplicativo de celular está ajudando mulheres vítimas de violência doméstica.
O drama que aflige milhões de lares no Brasil também foi uma realidade dentro da casa do Mateus. Ele cresceu vendo o pai agredir a mãe.
“Ele bebia. E quando ele chegava em casa acontecia determinadas situações, onde não chegava a violência física nenhuma. Mas, sim, violência moral. Eu pensava por que daquilo estava acontecendo, sendo que minha mãe é uma pessoa tão doce. Não tinha por que de estar acontecendo aquilo”, conta Mateus de Lima Diniz, 21 anos, desenvolvedor de aplicativo e CEO de Todas por Uma.
A mãe do Mateus conseguiu romper o ciclo de agressões: se separou do marido depois de 30 anos de casamento. Uma experiência que deixa marcas profundas na família inteira.
A maioria dos homens que presencia cenas de violência doméstica na infância acaba reproduzindo esse comportamento agressivo na vida adulta. O Mateus é uma exceção.
Um levantamento da promotoria da Justiça de São Paulo, mostra que só 15% das crianças que convivem com brigas e agressões seguem com um caminho diferente. O Mateus está nesse grupo.
No trabalho de conclusão do curso técnico de Desenvolvimento de Sistemas, Mateus criou com um amigo, um aplicativo para ajudar as vítimas de violência, que já está sendo usado por mais de quatro mil mulheres. Elas podem cadastrar o número de telefone de um anjo, uma pessoa de confiança que vai receber um pedido de socorro com o endereço onde a vítima está. As mulheres também podem marcar os locais onde foram agredidas ou assediadas, criando um mapa com lugares perigosos para elas.
“Com um clique, eu posso garantir que o seu pedido de socorro vai chegar”, conta Mateus de Lima Diniz, 21 anos, desenvolvedor de aplicativo e CEO de Todas por Uma.
A promotora que atua no combate à violência doméstica há 20 anos, diz que caminho para deixar de ser um agressor é longo.
“É um trabalho difícil, um trabalho lento, mas possível. Ele precisa se conscientizar de que não há relação de poder entre homem e mulher e nada lhe dá o direito de ter posse, propriedade OU controle sobre a vida da mulher”, explica Gabriela Mansur, promotora.
No primeiro semestre, 1.890 mulheres foram assassinadas: 2% a mais do que no mesmo período de 2019.
Para a diretora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, iniciativas como essa contribuem para ajudar as vítimas de violência.
“A tecnologia sozinha não vai acabar com a violência, mas ela pode ser ima importante aliada para enfrentar esse enorme desafio com inteligência e agilidade necessária”, afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“É isso que eu quero apenas. Eu quero salvar uma vida. Se eu salvar uma vida a missão do aplicativo Todas por Uma está feito”, afirma Mateus.
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”