Papa reconhece martírio e virtudes heróicas de dois brasileiros

O Papa Francisco autorizou a promulgação de decretos que reconhecem o martírio e as virtudes heroicas de dois brasileiros: a leiga Isabella Cristina Mrad Campos e o religioso Roberto Giovanni.
A medida abre caminho para a beatificação dos dois “servos de Deus”, título concedido pela Igreja Católica àqueles cujo processo de canonização foi iniciado oficialmente.

A promulgação dos decretos foi divulgada nesta quarta-feira após ser autorizada pelo Papa nesta terça-feira em reunião com o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Marcello Semeraro.

Nascida na cidade de Barbacena, em Minas Gerais (MG), em 29 de julho de 1962, a mártir Isabel Cristina Mrad Campos foi assassinada em Juiz de Fora, também em MG, em 1º de setembro de 1982, durante uma tentativa de estupro.

Ela era de uma família católica, tinha vida ativa na Igreja e havia se mudado para Juiz de Fora para se preparar para o vestibular de medicina. Por ser considerada mártir, não será exigido um milagre para torná-la beata.

Segundo informações da Arquidiocese de Mariana (MG), Isabel foi atacada por um homem que havia ido montar um armário no apartamento para onde ela havia se mudado com o irmão. Ao resistir à violência, a jovem foi assassinada.

Isabel sonhava ser pediatra para ajudar crianças em situação de vulnerabilidade. “Era sensível, sobretudo com os mais pobres, idosos e crianças, o que certamente aprendeu na família, que era vicentina”, afirma a entidade mineira.

“Por causa da maneira como morreu e, sobretudo, pela forma como viveu, algumas pessoas tiveram a iniciativa de entrar com o pedido de um processo para sua beatificação”, explica a Arquidiocese. O processo foi instalado no dia 26 de janeiro de 2001, em Barbacena (MG).

Em 2009, essa fase do processo foi concluída, e seus restos mortais foram levados para o Santuário da Piedade, pois a jovem havia sido batizada e recebido a primeira comunhão na Matriz da Piedade. Fiéis podem visitar o local.

Giovanni, ‘vida dedicada à solidariedade’

Já Roberto Giovanni nasceu em Rio Claro, em São Paulo, em 16 de março de 1903. Na juventude, entrou para a Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo (Estigmatinos). Depois, em 1939, foi transferido para Casa Branca, também no interior de SP, onde passou a maior parte de sua vida e ficou conhecido por suas ações sociais, especialmente com pobres e doentes.

Segundo o “Vatican news”, portal de notícias da Santa Sé, ele se “dedicou aos trabalhos domésticos, ao serviço paroquial e ao Santuário Nossa Senhora do Desterro, à assistência espiritual ao povo”.

Ainda de acordo com o portal, em novembro de 1993 , Giovanni foi morar na casa de repouso dos Padres e Irmãos Estigmatinos, em Campinas. Ali, foi acometido por uma pneumonia que o deixou muito debilitado. Morreu aos 90 anos, no dia 11 de janeiro de 1994, após uma vida dedicada à solidariedade..

Após sua morte, foi aberto o Processo Canônico para a sua Beatificação e Canonização devido ao fato de muitas pessoas o terem como santo e acreditarem que alcançaram graças por sua intercessão. Segundo informações fo G1, Giovanni ficou conhecido pela caridade no bairro do Desterro em Casa Branca e por milagres ligados à cura de vícios e doenças e à assistência aos mais pobres.

Com o reconhecimento de suas virtudes heroicas, ele será beatificado quando for comprovado um milagre por sua intercessão.

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