Patrimônio Cultural de Brasília, Escola Parque da 308 Sul completa 60 anos


Construído em quadra modelo, colégio público foi lugar de experiências divididas entre gerações. Professores homenageiam a história da instituição e compartilham depoimentos. Escola Parque 308 Sul, em Brasília, durante construção, em 1960
Reprodução/Inep
Há 60 anos, Brasília inaugurava uma de suas primeiras escolas, a Escola Parque 308 Sul. A instituição pública, que completa seis décadas nesta sexta-feira (20), é Patrimônio Cultural do Distrito Federal e motivo de orgulho dos funcionários e milhares de ex-alunos.
Em meio às mudanças provocadas pelo tempo e pela pandemia do novo coronavírus, gestores e professores prepararam uma homenagem, pela internet, ao colégio que pode ser chamado também de monumento (saiba mais abaixo).
O prédio fica na 307/308 da Asa Sul, quadra modelo de Brasília, que faz parte do projeto urbanístico de Lucio Costa e tem paisagismo de Burle Marx. A instituição é vizinha da Igrejinha, templo revestido com os azulejos de Athos Bulcão.
A área do complexo educacional foi projetada pelo arquiteto modernista José de Souza Reis e conta com quadras de esporte, piscina e teatro. Os prédios são sustentados por pilotis livres para a recreação das crianças.
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Complexo desportivo na Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Divulgação/Escola Parque 308 Sul
A arquitetura conversa com o Plano de Construções Escolares de Brasília, idealizado por Anísio Teixeira. Conforme arquivos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) a ideia, desde o início, era abrigar alunos de quatro escolas classes em turnos alternados, em um ensino integral, proporcionando atividades desportivas, culturais, sociais e artísticas.
O projeto escolar inclui também oficinas voltadas para práticas de trabalho.
Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Agência Brasília
Homenagens pela web
Em ano de pandemia, restou aos gestores e professores da Escola Parque 308 Sul lembrarem do aniversário contando as próprias histórias em vídeos divulgados em um canal no Youtube e nas redes sociais da instituição. São depoimentos que se misturam com a trajetória da capital brasileira e do colégio.
Uma das experiências compartilhadas é de Carla Regina Gonçalves Rocha. Em 1975, aos sete anos de idade, ela alternava os turnos escolares entre a Escola Classe 106, da Asa Sul, e a Escola Parque 308. Hoje, aos 52 anos, trabalha na instituição como secretária e é mãe de dois alunos de lá.
“É engraçado que eu não tenho muito a lembrança da outra escola que eu estudava, mas as coisas que eu fazia na Escola Parque eu me lembro bem, porque era mais prazeroso”, diz a ex-aluna.
Carla Regina Gonçalves com os dois filhos na Escola Parque 308 Sul, à época, com 7 e 8 anos de idade.
Arquivo pessoal
Carla conta que uma das memórias mais presentes é o festival de música. “Era muito bom. Pouco tempo atrás, uma professora achou uma música que a gente cantava na época, e eu me lembrei, foi muito especial”, disse.
Segundo ela, os filhos falam sobre as mesmas coisa que ela também gostava na escola. “Eles gostam do teatro, da música, da educação física”, conta.
Ação do tempo
Imagem de arquivo de apresentação artística da Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Arquivo pessoal
Carla é uma das alunas que estudou na Escola Parque por morar perto da instituição. Nas gerações mais recentes, é comum a presença de estudantes de regiões mais distantes do Plano Piloto, conta o diretor do colégio, Paulo César Valença de Lima.
“Eles vêm de longe, e a gente dá atenção para isso, com dedicação e trabalho. A gente se desdobra para se adaptar”, aponta. Lima faz questão de lembrar que a base educacional da escola não mudou.
“É um projeto de educação de tempo integral para a formação do ser humano autônomo, livre e democrático”, afirma o diretor.
Apresentação artística da Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Arquivo pessoal
Nas primeiras décadas, a escola oferecia oficinas de marcenaria e serralheria, entre outras atividades que serviam como prática de artes e inserção no trabalho. Em 2020, antes da suspensão do ano letivo, por causa da pandemia, as atividades eram educação física, artes visuais, teatro, dança e música.
Dentro do setor de Artes Visuais, os alunos desenvolvem trabalhos de computação gráfica, desenho e pintura digital. Já no projeto “PreservArte Patrimônio”, as crianças aprendem a reconhecer os locais da Escola Parque como parte da quadra modelo do projeto original de Brasília.
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Atividade recreativa no pilotis da Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Arquivo pessoal
Quando tudo voltar “ao normal”, dizem os professores, e a pandemia acabar, o espaço vai receber novamente os alunos das Escolas Classes 413 Sul e 111 Sul, no turno da tarde, e da 308 Sul e 209 Sul pela manhã. Ao todo, são cerca de 800 estudantes.
O diretor Paulo César Valença de Lima conta que, ao longo dos anos, a escola precisou de reformas e que ainda precisa de melhorias. Mas todos contam as horas para ver o espaço novamente ocupado pelas crianças e adolescentes.
Atividade desportiva na Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Arquivo pessoal
Pandemia
Para o diretor, a escola é marcada “por uma cultura de mão na massa” e atividades presenciais. A pandemia fez com que a dinâmica do trabalho mudasse.
“Os professores de teatro gravam vídeos, com leituras, desenvolvimento de personagens, e recebem também vídeos dos alunos”, conta o diretor da Escola Parque.
Fachada da Escola Parque 308 Sul, em Brasília
Agência Brasília
Segundo ele, cerca de 15% dos alunos recebem material impresso, os demais estão conectados com a ajuda de campanhas que permitiram o acesso aos equipamentos eletrônicos.
No aniversário de 60 anos, o esforço, diz ele, é para evitar a evasão. “Tivemos a perda de cerca de 10 alunos, mas estamos trabalhando muito”, afirma.
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