Perueiros de transporte escolar fazem bicos para sobreviver enquanto aguardam retorno das aulas regulares em SP

Apesar da retomada das aulas presenciais para atividades extracurriculares, profissionais passaram a fazer pães e doces para fechar orçamento. Quase 14 mil veículos estão cadastrados para o transporte de estudantes na capital, segundo a Prefeitura. Venda de doces é alternativa para donas de vans que estão sem alunos na pandemia
Perueiros que faziam o transporte de crianças para as escolas de São Paulo tiveram de se reinventar com a suspensão das aulas presenciais. Segundo a Prefeitura, quase 14 mil veículos estão cadastrados para o transporte de estudantes na capital.
Apesar das atividades presenciais terem sido retomadas há uma semana, muitas vans ainda estão paradas porque muitos pais ainda não se sentem seguros em mandar os filhos de volta para a sala de aula.
A Cíntia Akemi Higa tem duas vans escolares paradas há sete meses. O transporte de crianças era a principal fonte de renda da família. Ela usava as vans para transportar 60 alunos de escolas da Zona Norte no início do ano.
Com a pandemia, os pães, bolos e doces que Cíntia fazia por prazer passaram a ser fonte de renda.
“Eu levava para os amigos experimentarem quando alguém vinha em casa, mas para vender eu nunca tinha feito. Foi agora uma forma de me reinventar para poder ter uma outra fonte de renda já que o escolar agora por enquanto não tá dando mais dando para a gente conseguir pagar as contas”, afirma.
A alternativa foi substituir as crianças por pães, bolos e doces. Uma vez por semana, ela organiza as encomendas que recebe na van e sai para fazer as entregas.
Todas as encomendas são vendidas na região das escolas onde ela costumava buscar e deixar os alunos. Boa parte dos clientes já são conhecidos.
“Ela transportava meus filhos ate começar a pandemia, transportava o caçula, aí depois suspendi o transporte porque ele não estava mais indo para a escola, e assim eu não pretendo mandar ele, não pretendo não, eu não vou mandar ele mesmo que retornem e só o ano que vem”, diz a auxiliar administrativa Katia Cristina de Lago.
Assim como a Kátia, muitos pais nem pensam em mandar os filhos pra escola tão cedo. Por isso, mesmo com a retomada das atividades extracurriculares presenciais, os perueiros continuam em uma situação delicada.
A Adriana Aparecida Camargo é outra transportadora que precisou ir atrás de outras fontes de renda.
“Eu resolvi começar a fazer doces, ai eu faço amanteigados, brigadeiros, bicho de pé e saio vendendo na rua. Como também ficou difícil, que nem todo mundo ajuda, eu acabei indo para o farol, para o semáforo e estou vendendo no semáforo”, afirmou.
Para quem convivia durante quase 25 anos com a bagunça da criançada todos os dias, ver a van silenciosa não tem sido fácil.
“A gente tem hora que até chora. Porque olha assim esse carro vazio, porque é um carro que a gente cuida tão bem, está tão acostumado com movimento, com barulho, com eles aqui fazendo o tempo inteiro ‘tia, tia, tia…’ e ai quando sai com o carro assim, por mais que esteja fazendo uma coisa legal dá umas saudades enorme, dá um negócio assim no coração, de que a gente não vê a hora de voltar.”
O Detran disse que suspendeu o pagamento das taxas das vans escolares no primeiro semestre. Para este segundo semestre, o estado informou que está estudando se mantém a isenção.
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“As pessoas sempre escolherão uma história que as ajude a sobreviver e prosperar.”