Pesquisa conclui que transformar casa em escritório aumenta carga e ritmo de trabalho

São quase 8 milhões de brasileiros trabalhando em casa de forma remota, e conciliar a rotina profissional com o ambiente doméstico tem sido um desafio. Essa foi uma das conclusões de uma pesquisa feita por sociólogos da Universidade Federal do Paraná. Pesquisa conclui que home office aumenta carga e ritmo de trabalho
Na pandemia, a transformação de casas em escritórios aumentou a carga e o ritmo de trabalho.
A presença dos filhos é uma constante no horário de expediente de Renan. Ele trabalha como web designer e tem de conversar diariamente com clientes, participar das videoconferências da empresa.

“Quando eu preciso de uma concentração bem alta, coloco os fones no ouvido, tranco a porta e aviso minha esposa: segura as crianças aí”, conta Renan Schenoveber.

São quase 8 milhões de brasileiros trabalhando em casa de forma remota. Conciliar a rotina profissional com o ambiente doméstico tem sido um desafio. Essa foi uma das conclusões de uma pesquisa feita por sociólogos da Universidade Federal do Paraná.

Profissionais do serviço público e da iniciativa privada responderam às questões. As principais queixas são a falta de contato com os colegas, o número de interrupções enquanto trabalham e a dificuldade em separar a vida familiar da profissional.

Quase metade dos entrevistados disse que o ritmo de trabalho em casa ficou mais acelerado, 34% afirmaram que estão trabalhando mais de oito horas por dia, e 17% trabalham os sete dias da semana.

“O fato da conexão 24 horas por dia, da ampliação das tarefas sendo realizadas no mesmo ambiente, sem as paradas regulamentares do trabalho presencial, não tem mais a hora do cafezinho, o tempo todo passa a ser tempo de trabalho”, explica Maria Aparecida Bridi, pesquisadora da UFPR.

De acordo com a pesquisa, as mulheres sentiram mais a mudança. O acúmulo de trabalho tem levado à exaustão.

“É a sobreposição de atividades no mesmo lugar e as coisas acontecendo ao mesmo tempo. Você tem uma tarefa da casa e alguém chamando do trabalho. O filho precisando de atenção ali do lado. Então isso dá uma fadiga mental muito grande. Termina o dia e eu não quero falar com ninguém de tão cansada”, conta a professora Katya Naliwaiko.

Mas a pesquisa também revelou facilidades do home office, como não enfrentar trânsito e a flexibilidade de horários. Renan conta que pôde ver o filho Luan, de apenas um aninho, dar os primeiros passos.

“A minha filha eu acabei não vendo ela andar, só por filmagens e vídeos. Então meu filho eu pude ver ele andando aqui do meu lado, pude ver o quão inteligente minha filha é. Algumas questões são bem positivas quanto a isso”, afirma.

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