PF prende delegado suspeito de cobrar propina para não investigar empresários

O Ministério Público Federal diz que havia uma organização criminosa que agia de maneira sistêmica dentro da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. PF prende delegado suspeito de cobrar propina para não investigar empresários
A Polícia Federal prendeu um delegado suspeito de cobrar propina para não investigar empresários.
A Polícia Federal foi para a rua bem cedo nesta quinta (15), mas o esquema de corrupção, desta vez, estava na própria PF. O Ministério Público Federal diz que havia uma organização criminosa que agia de maneira sistêmica dentro da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro.
Nesta quinta, os policiais prenderam o delegado da PF Wallace Noble Santos Soares. Também havia um mandado de prisão para o empresário Marcelo Freitas Lopes, mas ele ainda não foi encontrado.
A polícia também fez buscas e apreensão em vários endereços, inclusive na casa de outro delegado da PF que já havia sido preso em junho de 2019: Lorenzo Pompílio da Hora.
Os agentes estiveram ainda na casa de um terceiro delegado federal, já aposentado, e no apartamento de um delegado da Polícia Civil Carlos Rangel.
A investigação aponta que o esquema funcionou no núcleo de repressão a crimes postais da PF, que investigava fraudes no fundo de pensão e no plano de saúde dos correios. Um escrivão e os delegados suspeitos usavam intermediários para cobrar propina de empresários que eram investigados por eles. Em troca, revelavam informações sigilosas dos inquéritos, vazavam operações policiais e ainda atuavam para influenciar o resultado e até parar investigações.
A investigação concluiu que o esquema funcionou durante seis anos: de 2014 a 2020, e que os empresários passaram a pagar por mês, em uma espécie de mensalinho, para ter informações das investigações e das operações contra eles. A polícia já comprovou pagamentos ao grupo que somam R$ 10 milhões.
Os pagamentos, na maioria das vezes, eram feitos em dinheiro vivo. Os policiais pagos com dinheiro público e suspeitos de cobrar propina para não cumprir a lei são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro, obstrução de Justiça, falsidade ideológica e organização criminosa.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com os citados na reportagem.
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