Polícia aguarda perícia para saber causa de deslizamento no AP que matou 3 em garimpo


Laudo deve ser entregue na próxima semana. Investigação se encontra na fase de ouvir sobreviventes e testemunhas. Área de garimpo no distrito de Lourenço, em Calçoene, no norte do Amapá
Arquivo Pessoal
A Polícia Civil do Amapá informou que espera o resultado do laudo pericial, com previsão de entrega na próxima semana, para saber a causa do deslizamento que matou três pessoas em um garimpo no distrito de Lourenço, em Calçoene, a 374 quilômetros de Macapá.
O incidente aconteceu no dia 24 de novembro, por volta de 10h, em área pertence à Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros do Lourenço (Coogal). As buscas encerraram no mesmo dia. Os mortos soterrados foram homens, com idades entre 38 e 61 anos. Outras três vítimas conseguiram sobreviver.
O G1 solicitou pronunciamento da Coogal sobre o que já foi feito na área após o deslizamento, mas até última atualização desta reportagem não obteve resposta.
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O delegado Sandro Torrinha, titular da Delegacia de Polícia do Interior (DPI), responsável pela investigação, explicou que sobreviventes, o presidente da Coogal e testemunhas já foram ouvidas em relação ao caso e que espera o resultado da perícia para mais esclarecimentos.
“Eu acho que ocorreu uma falha humana, pois não ouve barreira e nem contenção para evitar o desmoronamento. Mas isso só vai dar para concluir depois do laudo da perícia. Só quando sair o laudo nós vamos ter condições de traçar uma linha de investigação”, explicou.
Após a confirmação de mortos e feridos, a Polícia Civil informou que instaurou inquérito para apurar o acidente, que ocorreu numa área conhecida como “Garimpo do Tripa”. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também abriu procedimento para investigar o deslizamento de terra.
Mapa mostra onde ocorreu deslizamento de terra no garimpo de Lourenço, no Amapá
Arte G1
Outros deslizamentos e exploração centenária
A região de Lourenço é conhecida pela exploração garimpeira, principalmente de ouro, extraído por empresas e cooperativas. Os trabalhadores sobrevivem da lavra de ouro há mais de um século no garimpo, um dos mais antigos em atividade na região Norte.
Não é a primeira vez que ocorrem mortes por desmoronamento de terra no Lourenço, outros deslizamentos recentes foram registrados na área, como em 2016, quando morreram 3 trabalhadores, e em 2018, quando um outro garimpeiro perdeu a vida depois de ser soterrado.
A mineração no Lourenço é administrada desde 1995 por uma Cooperativa de Garimpeiros, a Coogal. Em novembro de 2017, as atividades no garimpo foram suspensas depois de uma operação da Polícia Federal que investigou a retirada ilegal de ouro da região.
A cooperativa também foi acusada de manter trabalhadores em situação semelhante à escravidão e de contaminar os rios com mercúrio.
A exploração só retornou 4 meses depois, em março de 2018, quando a Justiça Federal autorizou a retomada da mineração, afirmando que as atividades econômicas da região dependiam do funcionamento do garimpo.
Área de garimpo no distrito de Lourenço, em Calçoene, no norte do Amapá
CBM-AP/Divulgação
Área de garimpo no distrito de Lourenço, em Calçoene, no norte do Amapá
Corpo de Bombeiros/Divulgação
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