Polícia Civil ouve depoimentos sobre caso de mulher que levou idoso morto ao banco para fazer prova de vida


Laudo apontou que homem estava morto havia pelo menos 12 horas ao ser levado em cadeira de rodas até uma agência do Banco do Brasil em Campinas. Caso é investigado pelo 1º DP de Campinas
Reprodução EPTV
Primeiro Distrito de Campinas e Central de Flagrantes, no bairro Botafogo
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A Polícia Civil de Campinas (SP) ouve, nesta sexta-feira (16), depoimentos sobre o caso de uma mulher que levou um idoso morto em uma cadeira de rodas até uma agência bancária para fazer prova de vida. A investigação trabalha com a hipótese de tentativa de fraude para sacar a aposentadoria do homem.
Os depoimentos que serão ouvidos no 1º Distrito Policial nesta sexta são da própria mulher, de 58 anos, e de uma vizinha que a acompanhou no banco. A advogada da suspeita informou que ela estava na delegacia, mas não iria passar nenhuma informação antes de conversar detalhadamente com a sua cliente.
O caso ocorreu em uma unidade do Banco do Brasil no dia 2 de outubro. Segundo o Boletim de Ocorrência, a mulher, que não teve a identidade divulgada, alegou ao banco que tinha perdido a senha de letras da conta do suposto companheiro, um escrivão aposentado e viúvo de 92 anos. Por isso, o banco informou ser necessário ir até a agência para fazer a prova de vida como medida de segurança.
Ao chegar na agência, na tentativa de apressar o atendimento, a mulher disse que o homem estava passando mal, e os bombeiros foram acionados para ajudá-lo. Foi quando eles constataram que o idoso não só estava morto, como o óbito teria ocorrido havia algum tempo.
Segundo o boletim de ocorrência, o Corpo de Bombeiros e o médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) notaram que ele estava em estado cadavérico e com inchaço nos pés.
O diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 2), José Henrique Ventura, afirmou que o laudo necroscópico apontou que o idoso já estava morto havia 12 horas quando foi levado à agência.
Ao constatar a situação, a equipe comunicou a Guarda Municipal, que estava perto da agência. Essa, por sua vez, acionou a Polícia Militar, que conduziu a mulher ao 1º Distrito Policial para registro da ocorrência. O corpo do idoso foi enterrado no dia seguinte.
“Ela alega que era companheira dele há alguns anos, mas não tinha procuração para movimentar ou mexer na conta. Com o laudo, vamos instaurar inquérito por estelionato. Antes, era morte a esclarecer. Agora vamos tentar entender qual era a intenção dela, o que iria fazer com ele e o dinheiro”, explica Ventura.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo havia informado que “as diligências seguem para esclarecer os fatos”.
Também em nota, o Banco do Brasil informa que “cumpriu todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço com a fonte pagadora”.
A instituição ainda afirmou que não havia pendências com a conta do beneficiário, “apenas a falta das credenciais para acessar a conta e realizar o saque” e, por isso, foi necessária a presença dele na agência.
Veja a nota do banco:
“O Banco do Brasil atua para mitigar o risco de fraudes nos pagamentos de benefícios previdenciários com medidas como a identificação do cliente por meio de senhas, cartão e biometria. O BB esclarece ainda que a ocorrência registrada em uma de suas agências em Campinas, São Paulo, não tinha relação com prova de vida do INSS.
O Banco cumpriu, nesse caso, todos os protocolos previstos no contrato de prestação de serviço com a fonte pagadora, o que inclui a exigência de procuração ou a presença do beneficiário na agência.”
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