Polícia continua investigações para identificar atirador que matou pré-candidato a vereador em Ituiutaba


Suspeito de envolvimento no homicídio foi preso nesta segunda (26); presidente da Câmara pode ser o mandante. Crime ocorreu em junho deste ano, no estabelecimento de mototáxi que pertencia à vitima. Armas, munições e dinheiro apreendidos em Ituiutaba durante ação da Polícia Civil em investigação de homicídio de pré-candidato a vereador
Polícia Civil/Divulgação
As investigações da Polícia Civil sobre a morte do dono de um mototáxi que era pré-candidato a vereador em Ituiutaba continuam para identificar o atirador. A informação é do delegado regional de Ituiutaba, Carlos Fernandes, que falou sobre o caso em coletiva na tarde desta segunda-feira (26). O crime ocorreu no dia 10 de junho deste ano, no estabelecimento da vítima.
Um suspeito de envolvimento no homicídio foi preso na manhã desta sexta em cumprimento a um mandado de prisão expedito pela Justiça. O presidente da Câmara de Ituiutaba, Francisco Tomas de Oliveira, o Chiquinho, é investigado como o mandante do homicídio contra Leandro de Lima Xavier. Ainda foram apreendidos R$ 97.470, celulares, uma arma de fogo calibre 38 com munições intactas e uma pistola de 9 mm com 19 munições.
Segundo Fernandes, Ronair Barboza Teixeira, preso nesta manhã, teria sido o intermediador do crime. Ele teria realizado o acordo entre o mandante e o executor. “No dia 24 de junho houve a prisão de um indivíduo [Ronair] com arma de fogo e ele já era investigado pelo envolvimento nesse crime. Com a perícia criminal, conseguimos fazer a comparação balística e foi constatado 100% de certeza que os disparos contra o Leandro saíram dessa arma apreendida.”
Além disso, o delegado liga Ronair a Chiquinho. “Desde 2015, ele [Ronair] presta serviços de segurança na Câmara, desde quando Francisco foi presidente pela primeira vez. E também se mistura com a segurança particular do vereador”, afirmou Fernandes.
Duas armas foram encontradas com Chiquinho nesta sexta. Uma estava regular, mas a outra, o vereador tinha o registro mas não a autorização de porte. O parlamentar foi autuado nesta sexta por porte ilegal de arma, pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberado. Mas, segundo Fernandes, ele pode ser preso caso tente atrapalhar as investigações.
O G1 entrou em contato com a assessoria da Câmara de Ituiutaba para um posicionamento sobre a prisão do funcionário da segurança e a autuação do presidente da Casa. Mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Motivação do assassinato
Conforme o delegado, a Polícia Civil tem provas, indícios e evidências de que Chiquinho seja o mandante desse crime. “Até porque esse indivíduo preso com a arma de fogo [Ronair] não tinha nenhum motivo pra tirar a vida do Leandro.”
De acordo com as investigações, Chiquinho teria mandado matar Leandro por desavenças políticas. “Leandro vinha fazendo críticas a políticos, envolvendo questões políticas e ele também se intitulava pré-candidato a vereador. A gente conseguiu extrair das redes sociais um vídeo onde a vítima grava proferindo xingamentos e outras ofensas ao presidente da Câmara. E a gente acredita que esse vídeo tenha sido a gota d’água, que resultou no acordo entre o mandante, esse intermediário e o executor do crime.”
Atirador
Segundo a Polícia Civil, os materiais apreendidos neste sexta serão importantes para a identificação do executor do crime. “Essa é uma segunda etapa das investigações. Com as apreensões de hoje, vamos evoluir muito em identificar o executor. A gente acredita que ele não seja da nossa cidade, porque a gente fez inúmeros levantamentos”, afirmou o delegado regional.
Além disso, a polícia tem à disposição as imagens do sistema de videomonitoramento do estabelecimento onde Leandro foi assassinado. “A vítima, por receio, tinha acabado de colocar o sistema de videomonitoramento na empresa. E foi possível capturar o veículo de um dos indivíduos passando no local por seis vezes.”
Fernandes ainda afirmou que o inquérito deve ser concluído nos próximos dias.
Dinheiro
Sobre os mais de R$ 97 mil encontrados em um dos endereços de Chiquinho, o delegado explicou que o montante foi apreendido por não ter procedência. A Polícia Civil acredita que o valor seria utilizado na campanha eleitoral de Chiquinho.
Francisco Tomas, o Chiquinho, vereador de Ituiutaba
TV Integração/Reprodução
Entenda o caso
Um homem, de 34 anos, foi morto a tiros, na noite do dia 10 de junho, dentro de um estabelecimento de mototáxi no Bairro Alcides Junqueira, em Ituiutaba. Câmeras de segurança filmaram a chegada do atirador.
De acordo com a Polícia Militar (PM), o crime ocorreu por volta das 21h e a vítima já estava sem sinais vitais quando a guarnição chegou ao local. Ainda assim, o homem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o pronto-socorro municipal, onde foi constatado o óbito.
Ainda segundo a PM, o sistema de câmeras de segurança flagrou o momento em que o atirador chega ao local em uma motocicleta, entra no estabelecimento e efetua cerca de cinco disparos. Em seguida, ele fugiu em direção ao Bairro Novo Tempo II.
Na manhã do dia 26 de outubro, a Polícia Civil prendeu um suspeito de envolvimento no crime. Segundo a Polícia Civil, o presidente da Câmara de Ituiutaba, Francisco Tomas de Oliveira, o Chiquinho, também foi conduzido à delegacia para ser ouvido. Ele é investigado como o mandante do homicídio contra Leandro de Lima Xavier.
De acordo com a polícia, diante das investigações, a Justiça expediu um mandado de prisão temporária contra Ronair Barboza Teixeira, que não teve idade divulgada, e quatro mandados de busca e apreensão. Três deles foram cumpridos em endereços de Chiquinho.
Foram apreendidos R$ 97.470, celulares e duas armas de fogo, uma calibre 38 com munições intactas e uma pistola de 9 mm com 19 munições. Os armamentos estavam com Chiquinho. Segundo a polícia, uma arma está regular, a outra é registrada mas o investigado não tem autorização para porte. O parlamentar foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos.
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