Polícia descobre que traficantes de Florianópolis usavam mochilas de criança para crimes

A manhã desta terça-feira (29) foi marcada por intensa movimentação policial no Centro de Florianópolis. Duas forças de segurança do Estado se uniram e deflagraram uma das maiores ações na cidade para asfixiar o tráfico de drogas em uma das comunidades mais conhecidas da região, o Morro do Mocotó.

Na área, que faz parte do conglomerado do Maciço do Morro da Cruz, cerca de 150 policiais militares e civis capturaram 20 pessoas suspeitas de ligação com o crime organizado. Outras oito que já estão presas nas cadeias da Grande Florianópolis também foram alvo e tiveram mandados expedidos pela Justiça.

Em entrevista coletiva ainda nesta terça, o comando da operação confirmou que as investigações duraram mais de seis meses. Durante o monitoramento, os policiais tiveram indícios de que os traficantes usavam mochilas de criança e outros objetos para repassar as drogas e os lucros do crime enquanto circulavam pela comunidade.

Nas diligências desta manhã, os agentes encontraram até mesmo dinheiro escondido em um berço de bebê.

Em grande operação conjunta na Capital, polícia encontra dinheiro escondido em berço – Foto: Polícia Civil/ND

Ainda na madrugada, os agentes entraram nos becos e vielas da comunidade tradicional por ser o reduto do samba em Florianópolis. No entanto, segundo o chefe da Decrim (Delegacia de Combate ao Crime Organizado), João Adolpho Fleury Castilho, “infelizmente está praticamente dominada pelo tráfico de drogas”.

“Chega ao absurdo de hoje, quando nós estávamos ingressando na comunidade, sermos recebidos com fogos de artifício para avisar a nossa chegada”, contou o delegado ao afirmar que o consumo e venda ocorre a qualquer hora do dia na região.

Entre os 20 detidos desta manhã estão duas mulheres “muito ativas” no tráfico e três homens presos em flagrante. Dois adolescentes também foram conduzidos à delegacia. Uma pessoa precisou assinar um termo circunstanciado por porte de droga.

Casas

Além das prisões, 42 residências foram alvo de busca no Mocotó. Nesses locais, a polícia encontrou dinheiro, drogas e documentos que serão analisados pela Justiça.

Em grande operação conjunta na Capital, polícia encontra dinheiro escondido em berço – Foto: Caroline Borges/ND

Estas casas e seus moradores também serão investigados. Conforme Fleury, há indícios de que pode estar ocorrendo na comunidade uma tática criminosa conhecida no país – em que as facções obrigam moradores que não fazem parte do crime organizado a esconder drogas e armas.

Batizada de “Free Hills”, a ação faz referência aos cumes que são encontrados ao longo do território da comunidade onde, segundo a polícia, os traficantes usam como biqueiras. A quantia exata de dinheiro e droga confiscada ainda está sendo levantada.

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Apesar da pandemia, tráfico não parou

Mesmo com os bloqueios e decretos estaduais provocados pela pandemia do coronavírus, a venda e consumo das substâncias não pararam em Florianópolis. Para o tenente-coronel Dhiogo Cidral de Lima, chefe do 4º BPM, “a dinâmica do tráfico continua ininterruptamente”.

“A gente sabe que tem a questão da pandemia e tudo mais, mas os usuários não se furtam do seu consumo e buscam alternativa”, disse o Cidral.

Na coletiva, o tenente-coronel esclareceu ainda que toda a ação foi planejada e aplicada com tecnicidade. “Nessa questão de pandemia e mais por ser uma comunidade nativa de Florianópolis, e ter toda essa questão social agregada, a gente precisa esclarecer que toda a ação foi legítima, não teve nenhum excesso”, frisou.

No período de quarentena, algumas “festas” foram assunto na cidade após vídeos e fotos de bailes viralizarem na comunidade. Conforme o policial, os criminosos também aproveitam esses eventos irregulares para vender substâncias.


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